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Instituições correm para criar teste molecular rápido, preciso e acessível

Publicado em 22 junho 2020

Por Yuri Vasconcelos | Revista Pesquisa FAPESP

Os exames baseados em RT-PCR, por sua vez, necessitam de aparelhos caros, mão de obra qualificada e insumos que hoje estão em falta no mercado. Além disso, seu processamento é feito em várias etapas, o que faz com que demorem, em média, de sete a oito horas para serem concluídos. Com o elevado volume de testes para covid-19 realizados no país nos últimos meses, os resultados têm levado dias para ficar prontos.

"Para provar a viabilidade da técnica para o novo coronavírus, trabalhamos com um número pequeno de amostras, pouco mais de 10 unidades. Agora, vamos partir para a validação final de um modelo comercial com um número maior, em torno de 500. Se tudo correr bem, finalizaremos o desenvolvimento em dois meses. A tecnologia, idealmente, deverá ser transferida para uma empresa interessada em produzi-la em larga escala."

O trabalho contou também com a participação de pesquisadores do Laboratório de Genética Molecular e Citogenética do Instituto de Ciências Biológicas da UFG. Um artigo detalhando o estudo foi submetido à revista Biosensors and Bioelectronics e encontra-se em revisão.

Oxford e Harvard

Cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, em colaboração com colegas chineses, e da Escola de Medicina da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, divulgaram nos últimos meses terem criado kits para detecção do Sars-CoV-2 com a mesma técnica usada pela UFG. "Validamos o método RT-Lamp em um hospital da China, empregando 16 amostras clínicas, sendo oito positivas e oito negativas [para Covid-19]", escreveram os pesquisadores de Oxford em artigo publicado na edição de abril da revista Microbial Biotechnology. "Os resultados dos testes são consistentes com os do RT-PCR."

A existência de um teste rápido point-of-care para diagnóstico da covid-19 em pessoas portadoras da doença, sustentam especialistas, pode tornar mais efetivo o enfrentamento da pandemia. Hoje, os únicos exames rápidos disponíveis detectam os anticorpos IgG e IgM em indivíduos que já foram infectados pelo novo coronavírus. Como o teste RT-PCR leva muito tempo para ficar pronto, dificulta a decisão de isolar os doentes e o rastreamento efetivo de seus contatos.

"O RT-Lamp é um método muito promissor por sua simplicidade e facilidade de realização. Vejo com bons olhos a iniciativa de desenvolver um teste no país com essas características?, declarou a Pesquisa FAPESP o virologista Fernando Rosado Spilki, membro do Laboratório de Microbiologia Molecular da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, e presidente da SBV (Sociedade Brasileira de Virologia).

Spilki ressalta, no entanto, que, para se tornar um produto comercial, o teste requer uma padronização muito rigorosa que o torne capaz de detectar pacientes com diferentes cargas virais. "A prova de fogo do exame que está sendo desenvolvido na UFG será a validação em um número maior de amostras. Indivíduos com covid-19 excretam diferentes cargas virais", afirma. "O desafio de qualquer teste é detectar a presença do Sars-CoV-2 naquelas pessoas que possuem baixa carga viral."

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