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Instituições brasileiras participam da construção de radiotelescópio para explorar “energia escura”

Publicado em 02 fevereiro 2017

O Brasil, representado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), integra um consórcio internacional para a construção do radiotelescópio que deverá fornecer detalhes da distribuição de matéria nas galáxias e trazer informações valiosas sobre a chamada “energia escura” – responsável pela expansão acelerada do Universo e um dos principais temas de pesquisa na física do século 21.

O equipamento, intitulado Baryon acoustic oscillations in Neutral Gas Observations (Bingo), foi concebido por cientistas do Reino Unido, Suíça, Uruguai, China e Brasil para fazer a primeira detecção de Oscilações Acústicas de Bárions (BAO) nas frequências de rádio. A escala do BAO, que usa oscilações acústicas para entender os processos de formação de aglomerados de galáxias, medir a expansão do Universo e a quantidade de matéria escura, é uma das sondas mais poderosas para investigar parâmetros cosmológicos.

O Inpe participa diretamente no design, construção e testes das cornetas e parte da eletrônica do radiotelescópio, desenvolvimento e testes de técnicas de calibração e análise de dados, bem como do comitê gestor do projeto. A coordenação geral da parte brasileira do projeto está sob a responsabilidade do Instituto de Física da USP.

O desenvolvimento dos componentes para módulos receptores e a construção e montagem de antena têm o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no âmbito do projeto temático “O telescópio Bingo: a nova janela de 21cm para exploração do universo escuro e outras questões astrofísica”.

O radiotelescópio Bingo fará a medição da distribuição de hidrogênio neutro a distâncias cosmológicas, utilizando uma técnica chamada Mapeamento de Intensidade. Operando na faixa de frequência que vai de 0,96 GHz a 1,26 GHz, o Bingo contará com dois espelhos de 40 metros que iluminarão cerca de 50 cornetas de 4,7 metros de comprimento e 1,90 metros de abertura. O custo estimado é de US$ 4,9 milhões.

O consórcio internacional é formado pelo Jodrell Bank Centre for Astrophysics/Universidade de Manchester, Universidade de Portsmouth e University College de Londres, no Reino Unido; o ETH Zurich, na Suíça; a Universidade da República, no Uruguai; o Inpe e o Instituto de Física da USP.

(Agência ABIPTI, com informações do Inpe e Fapesp)