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Inpe terá novas previsões e medição da qualidade do ar

Publicado em 29 março 2016

Por Júlio Ottoboni

São José dos Campos - O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, lançou uma nova versão do modelo regional de previsão de tempo e estudos climáticos denominado Brams.

A nova versão do software meteorológico unificou os modelos para previsão de tempo e de qualidade do ar usados atualmente pelo órgão. Segundo o Inpe, com isso a comunidade científica tem um novo sistema capaz de prever simultaneamente o tempo e a qualidade do ar na América do Sul, em tempo real. A nova versão fornece previsões a partir das concentrações de monóxido de carbono, ozônio e aerossóis atmosféricos da América do Sul com resolução de 20 km e com antecedência de 84 horas, cerca de três dias e meio. Já a previsão do tempo tradicional, que não inclui os aspectos químicos da atmosfera, tem resolução de 5 km.

O Brams permite visualizar a poluição atmosférica em megacidades da América do Sul, como São Paulo e Rio de Janeiro, e as névoas de monóxido de carbono de queimadas. Para isso, o software usa 9,6 mil processadores do supercomputador Tupã, instalado no CPTEC, adquirido com apoio da Fapesp e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A grande vantagem é ter a unificação dos modelos de previsão de tempo e de qualidade do ar em um mesmo software. Isso, por exemplo, possibilita simular de maneira mais realista a interação do ecossistema da Amazônia com diversos processos atmosféricos, como as emissões de aerossóis pelas queimadas, que modificam regimes de chuva. E também o nível da temperatura da superfície e seus impactos na saúde pública. Há poucos meses, Manaus ficou totalmente coberta por espessa camada de fumaça vinda da queimada na floresta. "Hoje, poucos centros de previsão de tempo e estudos climáticos no mundo possuem uma previsão integrada como o Brams 5.2, que fornece simultaneamente previsão de tempo e de qualidade do ar na escala da América do Sul com resolução de 20 km", disse o coordenador do projeto do Inpe, Saulo Ribeiro de Freitas.

O Brams foi baseado no Sistema de Modelagem Atmosférica Regional (Rams, na sigla em inglês), desenvolvido originalmente por pesquisadores da Colorado State University, dos Estados Unidos, no final da década de 1980. "O Brams começou com o modelo americano. Mas hoje é completamente diferente, com diversas finalidades que não existiam no modelo original". O sistema brasileiro é usado hoje por pesquisadores brasileiros como de outros centros de pesquisa na França, Portugal, Estados Unidos, Argentina, Colômbia e Peru. Isso ocorre pela influência e importância da Amazônia no clima global.

A fim de aprimorá-lo, os pesquisadores do Inpe e da USP uniram-se a outras universidades e instituições de pesquisa do Brasil e do exterior, incorporando funcionalidades. Em razão do trabalho realizado com o Brams, o pesquisador do Inpe foi convidado pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa), dos EUA, para trabalhar no grupo de modelagem climática da agência espacial norte-americana.