Notícia

Vale Paraibano

Inpe tem sete na disputa pela direçãop

Publicado em 15 outubro 2009

Sete pesquisadores manifestaram interesse em assumir a direção do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José dos Campos. Os nomes dos candidatos darão origem a uma lista tríplice que será enviada ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, encarregado de definir o novo diretor.

O MCT não determinou prazo para receber os nomes dos três finalistas da disputa. A lista está sendo elaborada por um comitê de especialistas, indicado pelo ministro e presidido por Marco Antônio Raupp, diretor do Parque Tecnológico de São José e presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

Entre os candidatos à vaga está Gilberto Câmara, atual diretor do Inpe, e outros três pesquisadores do instituto --Nelson Schuch, Udaya Jayanthi e Fausto Carlos. Também estão na disputa José Marques da Costa, professor da Unitau e pesquisador aposentado do Inpe, José Pacheco, ex-diretor do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciência e Atmosférica), e Vitor Fernando de Melo.

O novo diretor terá, por um mandato de quatro anos a partir de janeiro de 2010, a missão de administrar anualmente um orçamento de mais de R$ 150 milhões destinado principalmente às áreas de monitoramento ambiental, previsão do tempo, observação da Terra e desenvolvimento de novas tecnologias espaciais.

A COMISSÃO - Além de Marco Antônio Raupp, os candidatos serão avaliados por outros especialistas. Integram a comissão Michal Gartenkraut, ex-reitor do ITA, Carlos Henrique de Brito Cruz, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Alberto Passos Guimarães, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, e Hadil Fontes, do Ministério das Relações Exteriores.

Três dos cinco membros do comitê são remanescentes do último processo seletivo realizado em 2004, quando Câmara foi escolhido pelo MCT como diretor.

Para Fernando Morais, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais na área de Ciência e Tecnologia do Vale do Paraíba, a manutenção dos pesquisadores pode confirgurar "um jogo de cartas marcadas" (leia texto nesta página).

Procurado pelo valeparaibano, Raupp informou apenas que irá se reunir com os candidados nos próximos dias e que não há uma previsão de quando sairá a lista tríplice que será entregue ao MCT.

MUDANÇAS - Pesquisador do Inpe há 30 anos, Udaya Jayanthi, uns dos sete candidatos que disputam a diretoria, acha complicada a metodologia utilizada pela comissão, mas acredita que a decisão terá por base os méritos de cada pesquisador e uma análise criteriosa dos projetos apresentados.

"Gilberto Câmara é um bom diretor, não tem uma gestão ruim. Acho que todos que o Inpe teve até hoje tiveram bons desempenhos, existe uma ou outra reclamação. O Inpe precisa de mudanças estratégicas. Para encontrar um desafio, você tem que ter claro o que é um desafio", disse Jayanthi

O pesquisador considera ainda que é preciso revisão na verba destinada aos projetos do Inpe. "Precisamos de mais investimentos em novas tecnologias. Temos que aumentar os recursos destinados de cinco em cinco anos em pelo menos seis vezes para o desenvolvimento de novos projetos", afirmou Udaya Jayanthi.

INPE - O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, hoje com 1.100 funcionários, é um dos principais centros de pesquisas do país. Entre os projetos de maior destaque está o programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), que teve início com a assinatura do acordo de cooperação espacial com a China em 1998, obtendo com êxito o lançamento de três satélites.

Sindicato insiste em mudança na escolha

O Sindicato dos Servidores Públicos da área de Ciência e Tecnologia do Vale do Paraíba informou que ficará isento de apoio à candidatura de qualquer um dos pesquisadores. A entidade questiona a metodologia aplicada para a sucessão do cargo.

Segundo Fernando Morais, presidente do sindicato, a manutenção de três dos cinco membros da comissão que irá formar a lista tríplice pode garantir mais quatro anos à Gilberto Câmara frente ao Inpe.

"O sindicato é radicalmente contra o sistema de busca utilizado hoje pelo ministério, por isso não vamos apoiar a candidatura de nenhum dos pesquisadores. Isso não reflete os interesses do Inpe, não é um modelo de escolha democrático", disse Morais.

Câmara foi o primeiro diretor escolhido por meio de uma lista tríplice encaminhada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2004. Até então, o cargo era ocupado por nomes indicados diretamente pelo ministro. Os dois métodos são reprovados pelo sindicato, que considera ideal a realização de eleições diretas entre os servidores.

"Na visão do sindicato, deve-se repetir o nome do Gilberto Câmara para o próximo ano. Salvo uma análise profunda do comitê de que o Gilberto é um administrador ruim", afirmou.