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MCTIC - Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

Inpe mapeia a queima da cana de açúcar em São Paulo

Publicado em 18 dezembro 2009

A queima da cana-de-açúcar no estado de São Paulo deve ser gradativamente eliminada até 2017, de acordo com o Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, assinado em 2007 entre o governo do estado e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O acordo reforça uma legislação ambiental já rigorosa com relação às queimadas, mas que ainda não tem o apoio de um método eficiente que permita o monitoramento da forma de colheita, ou seja, se ela é feita com ou sem o uso de fogo.

Por conta disso, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), em São José dos Campos (SP), identificaram e mapearam o modo de colheita da cana-de-açúcar nos municípios produtores paulistas.

Um dos objetivos do estudo, publicado na revista Engenharia Agrícola, foi mapear as áreas de cana colhida com e sem o uso do fogo no ano-safra 2006/2007 a partir de imagens de sensoriamento remoto, a fim de estimar o percentual de área colhida sem queima.

Pela primeira vez, as imagens de sensoriamento remoto foram utilizadas para monitorar a colheita da cana. Segundo os resultados do estudo, cujas imagens foram adquiridas de abril a dezembro de 2006, 33,5% da área total foi colhida sem o uso do fogo contra 66% em que se utilizou o recurso.

Em relação à área mecanizável, o estudo identificou que 34,7% foram colhidos com uso do fogo e o restante sem. De acordo com Daniel Alves de Aguiar, um dos autores do trabalho, a identificação da área mecanizável não permite concluir se o produtor usa máquinas ou não: ela se refere apenas à declividade, isto é, diz respeito à área onde existe a possibilidade de colheita com maquinário necessário.

"Ela se refere à área que tem uma declividade do terreno menor ou igual a 12%. Se for maior do que isso, a máquina não consegue colher e os produtores terão um prazo mais extenso para se adaptar ao protocolo e à legislação", explica Aguiar.

De acordo com o protocolo, o prazo para o fim das queimadas nas áreas que permitem o uso de máquinas agrícolas é 2014 e para as não mecanizáveis é 2017. "Mas mesmo nas áreas não mecanizáveis os produtores terão de se adaptar. Ou eles passam a colher manualmente sem queima ou terão que esperar uma nova tecnologia que permita a colheita em áreas com declividade maior. Senão terão que deixar de cultivar cana nessas áreas", disse Aguiar.

Segundo a pesquisa, a área de cana colhida sem queima foi avaliada em 1,1 milhão de hectares no período estudado. E, apesar de ainda parecer pouca - perto dos 3,24 milhões de hectares do total -, a área atendeu à legislação ambiental que, para o ano de 2006, previa que 30% da área de cana fosse colhida sem queima.

São Paulo produz quase dois terços do açúcar e álcool do País, segundo dados da Unica. O cultivo da cana ocupa mais da metade das lavouras do estado, excluídas as pastagens. O estudo indicou que entre os 10 municípios com maior área de cultivo de cana, Piracicaba, Paraguaçu Paulista, Jaboticabal, Guaíra e Araraquara se destacaram por produzirem menos de 40% do total com uso de fogo em 2006.

Já Barretos e Jaú (quinto e sexto maiores produtores) queimaram cerca de 80% e 92% de suas áreas colhidas, respectivamente. Batatais, Lençóis Paulista e Morro Agudo queimaram entre 60% e 80%. Entre as cidades que colheram toda sua área sem o uso do fogo destacam-se Agudos e Paulistânia, com cerca de 1 mil e de 480 hectares, respectivamente.

Desde o período em que foi feito o estudo, o cenário parece ter melhorado consideravelmente em São Paulo. Segundo a Unica, este ano pelo menos 50% dos canaviais paulistas serão colhidos sem uso do fogo. O balanço do segundo ano de vigência do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, divulgado em novembro, apontou um índice de mecanização no cultivo da cana no estado de 54%, contra 34% de antes do compromisso.

Para ler o artigo Imagens de sensoriamento remoto no monitoramento da colheita da cana-de-açúcar, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/Fapesp), clique aqui:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-69162009000300011&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Agência FAPESP