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Inpe lidera a construção de radiotelescópio

Publicado em 06 fevereiro 2017

Um radiotelescópio projetado para medir as oscilações na distribuição de matéria no universo, as chamadas Oscilações Acústicas de Bárions (em inglês, BAO), será construído no Brasil sob a liderança do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os resultados poderão trazer informações valiosas sobre a chamada "energia escura", que representa cerca de 70% da composição do universo.

"Será um radiotelescópio com dois espelhos de 40 metros de diâmetro que deverá ser instalado no noroeste do Uruguai, devido à localização geográfica. O objetivo é medir as oscilações acústicas de bárions quando o universo era muito jovem. Queremos entender, investigar a energia escura na tentativa de caracterizar essa componente desconhecida", explica o pesquisador do Inpe Carlos Alexandre Wuensche, responsável pela construção da instrumentação do projeto no Brasil.

As Oscilações Acústicas de Bárions são utilizadas em astrofísica para entender os processos de formação de aglomerados de galáxias, medir a expansão do universo e a quantidade de matéria escura. A escala de BAO é uma das sondas mais poderosas para investigar parâmetros cosmológicos, incluindo a energia escura. "A energia escura é certamente um dos principais temas de pesquisa na física do século 21", diz Wuensche.

Coordenação

O projeto é desenvolvido por um consórcio internacional formado por pesquisadores do Brasil, Reino Unido, Suíça e Uruguai. O Inpe participa diretamente da construção, desenvolvimento, calibração, testes e análises de dados, bem como do comitê gestor do projeto. Já a coordenação-geral do lado brasileiro está sob a responsabilidade do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).

"Nossa ideia é trabalhar com as empresas envolvidas para qualificá-las a construir partes de um instrumento singular. A importância desse consórcio para o Brasil e a indústria é fazer com que o setor se envolva no desafio de construí-las", ressalta o pesquisador

O desenvolvimento dos componentes para módulos receptores e a construção e montagem de antena têm o apoio de cerca de R$ 12 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no âmbito do projeto temático O telescópio BINGO: a nova janela de 21cm para exploração do universo escuro e outras questões astrofísica.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) oferece como contrapartida recursos humanos, com pesquisadores, técnicos e engenheiros e a infraestrutura do Laboratório de Integração e Testes de Satélites do Inpe, o principal centro capaz de realizar testes de antenas no País.

Fonte: MCTIC