Notícia

Gazeta Mercantil

Inpe faz parceria com Universidade dos EUA

Publicado em 25 maio 1997

Por Virgínia Silveira - de São José dos Campos
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro de Cristalografia Macromolecular (CMC) da Universidade do Alabama, em Birmingham (UAB), Estados Unidos, estabeleceram uma parceria visando o desenvolvimento conjunto de equipamentos para apoio às pesquisas sobre crescimento de cristais de proteínas em ambiente de microgravidade. O diretor do CMC, Lawrence DeLucas, esteve no Brasil, na semana passada, para identificar, junto aos centros de pesquisa do País, possíveis parceiros com potencial para desenvolver proteínas que auxiliem no desenvolvimento de drogas para o combate de moléstias como câncer, mal de chagas, malária, Aids, entre outras doenças. O CMC é responsável pela coordenação de pesquisas na área de crescimento de cristais de proteínas no espaço, levadas à bordo dos ônibus espaciais da Nasa. No mês passado, o ônibus espacial Columbia levou duas proteínas desenvolvidas pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, para serem cristalizadas e, com isso, ajudar os cientistas na projeção de remédios mais eficazes contra o mal de chagas. Segundo o professor DeLucas, o CMC tem muito interesse que o Inpe trabalhe no desenvolvimento de dois equipamentos: uma estação de Raio X para transmissão, em tempo real, das informações sobre as condições de cristalização de proteínas do espaço para o solo e dê sua câmera de cristalização de proteínas com sistema eletrônico sofisticado. A idéia do CMC, de acordo com DeLucas, é incorporar esses dois sistemas à Estação Espacial Internacional, projeto de uma nave espacial tripulada, que começará a ser construída a partir de outubro deste ano. Na Estação Espacial Internacional, que ficará instalada a 350 quilômetros da Terra, os experimentos de crescimento de cristal de proteínas poderão ser realizados dentro de um prazo mais longo no espaço, já que as viagens a bordo de ônibus espaciais acontecem num período de tempo muito curto. O custo de desenvolvimento dos dois projetos, segundo cálculos do professor DeLucas, é da ordem de US$ 35 milhões. A Nasa já liberou cerca de US$ 4 milhões para o projeto do CMC e, até o fim deste ano, vai destinar mais US$ 4 milhões. A contribuição financeira do Inpe para o desenvolvimento dos dois equipamentos, segundo o diretor do Instituto, Márcio Nogueira Barbosa, ainda está sendo discutida com o diretor do CMC. Além de participar do desenvolvimento de sistemas de tecnologia espacial, o Inpe também acertou cora o CMC a sua colaboração na tarefa de integração de instrumentos utilizados em pesquisas brasileiras sobre cristalização de proteínas. O próximo experimento brasileiro será embarcado no Atlantis no início do mês de julho. A participação do Inpe no projeto da Estação Espacial Internacional, avaliado em US$ 50 bilhões, será confirmada durante a visita do presidente dos Estados' Unidos, Bill Clinton, ao Brasil, em outubro deste ano. Para consolidar a sua presença e atuação no País, o CMC instalou um Centro para comercialização de tecnologias oriundas do espaço, em Brasília. Para tanto, o CMC estabeleceu uma "joint-venture" com a Braz-sat (Brazilian Commercial Space Services), que oferece às indústrias brasileiras serviços e produtos nas áreas de robótica, sensoriamento remoto, educação à distância, biotecnologia, crescimento de plantas no espaço entre outros.