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Tecnologia e Defesa

INPE e FAPESP querem estimular pesquisas aeroespaciais

Publicado em 14 setembro 2015

O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a FAPESP (Fundação de Apoio à Pesquisa de São Paulo) assinaram um acordo para estimular pesquisas no campo de tecnologias aeroespaciais. O objetivo é beneficiar pesquisadores de pequenas empresas e estimular o desenvolvimento da cadeia industrial ligada ao setor.

 

“A grande contribuição do INPE é de nuclear uma indústria espacial no Brasil”, ponderou Leonel Fernando Perondi, diretor do instituto. “Esperamos ter uma indústria de satélites, moderna, de alto valor agregado e com possibilidade de renda multo alta”.

 

Assinada na semana passada, a parceria INPE-FAPESP irá apoiar projetos cooperativos de pesquisas que levem ao desenvolvimento de novas tecnologias, sistemas e equipamentos com base em temas estabelecidos conjuntamente pelos parceiros.

 

As duas instituições não divulgaram o montante de recursos que serão aportados, mas fontes próximas ao assunto estimam poderá chegar a R$ 40 milhões. O dinheiro será aplicado por meio do PIPE (Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), da FAPESP, com a seleção de propostas de pesquisa a serem financiadas e da avaliação dos projetos.

 

Segundo a FAPESP, ainda não há data prevista para divulgação da chamada pública aos interessados em  inscrever projetos. Ainda de acordo com a fundação, a propriedade intelectual resultante dos projetos de pesquisa será regida pelas normas do PIPE.

 

Durante a solenidade de assinatura do acordo, o diretor do INPE disse que as pesquisas poderão ajudar o Brasil a ganhar espaço também na indústria espacial. “Nos próximos 20 anos essa vai ser uma indústria muito forte, tanto quanto a aeronáutica é na atualidade, e o Brasil poderá se beneficiar disso” avaliou Perondi.

 

Perondi ainda lembrou a importância da colaboração para a pesquisa e desenvolvimento de sistemas e equipamentos, citando a parceria sino-brasileira iniciada em 1988 e que resultou no projeto de desenvolvimento e lançamento de satélites da família CBERS.

 

O presidente da FAPESP, Celso Lafer, ressaltou a importância do acordo. “Uma característica importante dessas pesquisas é que elas terão uma forte ligação com o setor produtivo, o que deverá ajudar a dar impulso a uma atividade de vital importância para o avanço do conhecimento”.

 

São José dos Campos

 

A Previsão é que o acordo possa contribuir para a criação de uma indústria do setor espacial no Brasil, cujo centro será no município paulista de São José dos Campos.

 

A EMBRAER tornou-se referência para o INPE ao estimular o desenvolvimento da cadeia produtiva ligada ao setor aeroespacial, que tem forte presença na região do Vale do Paraíba. Conforme o diretor do INPE, a meta é fazer nesse segmento o que ocorreu com o setor aeronáutico, depois do surgimento da EMBRAER.

 

“O turboélice Bandeirante voou pela primeira vez em 1968, exatos 18 anos depois da criação do então  Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA), atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). Em 1969 criou-se a EMBRAER, hoje a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo”, destacou Perondi.

 

Para ele, investir em pesquisa e no desenvolvimento de produtos é o “resultado de ter uma indústria num setor moderno, de alto valor agregado e com possibilidade de renda multo alta”.

 

Ivan Plavetz