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Inpe desenvolve sistema que prevê potencial de raios

Publicado em 29 setembro 2015

São José dos Campos - Extremos climáticos e tempestades cada vez mais violentas levaram o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, a desenvolver um sistema capaz de prever a ocorrência de raios com 24 horas de antecedência. O projeto é inédito na América Latina.

"A ideia é contribuir para a diminuição do número de mortes e feridos por raios no Brasil, país que apresenta a maior incidência de descargas atmosféricas no mundo, com 58 milhões por ano", diz o coordenador do Elat e primeiro doutor em descargas elétricas atmosféricas do País, Osmar Pinto Junior.

O projeto "Detecção de sinais de variabilidade relacionados a mudanças climáticas na incidência de descargas atmosféricas no Brasil" é bancado pelo Inpe e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). E já estará em atividade no próximo verão, período que registra 80% dos raios no País.

"Ao prever com antecedência e razoável margem de acerto em quais regiões os raios podem ocorrer, o sistema permitirá à população tomar medidas de precaução. Com isso, será possível diminuir as estatísticas de, em média, 110 mortes e 500 pessoas feridas, anualmente, por esse fenômeno no País", avalia Pinto Junior.

O sistema se baseia em um modelo meteorológico internacional, o Weather Research and Forecasting (WRF), que oferece dados sobre descargas atmosféricas dentro de nuvens, as quais podem resultar em raios, que são conseguidos por observações feitas em solo e registrados pela Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas (BrasilDAT).

As várias condições meteorológicas que colaboram na formação de raios são indicadas pelo modelo WRF, que capta indicações de vento, temperatura, umidade e concentração de gelo nas nuvens em diferentes altitudes.

Quando comparadas pelo sistema com dados de descargas atmosféricas dentro de nuvens registradas pela BrasilDAT, se sabe o potencial de descargas elétricas da formação de nuvens de tempestade.

Margem de incerteza

Com a posse destes dados, o sistema prevê, por exemplo, em quais áreas de uma cidade grande como São Paulo há maior probabilidade de formação e ocorrência de raios. Embora o sistema permita prever quais municípios ou regiões podem ser atingidos por raios, ainda é cedo para pedir a precisão do local da descarga.

"O sistema não consegue prever onde um raio vai cair exatamente, porque ainda apresenta uma margem de incerteza de 10 a 20 quilômetros entre o local exato onde a descarga atmosférica deve ocorrer e o previsto", diz Pinto Junior.

Os cientistas do Elat realizaram um teste durante o verão de 2013, abrangendo a região Sudeste do País. No verão de 2014, os testes foram estendidos para, aproximadamente, 80% do território brasileiro.

Os resultados indicaram que o sistema foi capaz de prever, um dia antes e com uma margem de 85% de acerto, em quais regiões ocorreram 85 mil raios que atingiram o solo do total de 580 mil descargas atmosféricas registradas pela BrasilDAT em todo o País no dia 14 de janeiro deste ano.

"Essa margem de acerto nos surpreendeu, porque os sistemas de previsão de tempo usados atualmente no Brasil também têm uma margem de acerto semelhante. Achávamos que, pelo fato de a previsão de raios ser mais complexa do que a de tempo, o sistema fosse apresentar uma margem de acerto menor, da ordem de 70%", afirma Pinto Junior.