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TN Sustentável

Inpe aguarda abertura de novas vagas e definições do governo

Publicado em 23 março 2012

Por Carlos Orsi, Inovação Unicamp

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deve lançar, até abril, um edital para a contratação de mais de 800 novos funcionários, sendo que, desse total, de 116 a 120 serão de vagas para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), número considerado ainda insuficiente pela direção do instituto. Além de novas vagas, o Inpe aguarda a concretização de outras medidas já anunciadas e com impacto direto em suas atividades, como a integração do instituto à Agência Espacial Brasileira (AEB) e a substituição do atual diretor, Gilberto Câmara, que pediu demissão no segundo semestre do ano passado, mas segue no cargo.

Durante solenidade em comemoração aos 50 anos do Inpe, em agosto de 2011, seu diretor havia alertado para a redução e o envelhecimento do quadro de profissionais. A idade média dos pesquisadores é de 50 anos.

"O concurso não resolve os problemas do instituto, mas ajuda", disse a direção do Inpe à Inovação Unicamp, por meio de sua assessoria de imprensa. "O pleito de mais vagas continua. A situação é preocupante: fica-se muito tempo sem fazer concurso e, quando se faz, é para um número reduzido de vagas."

A direção do instituto pondera que, para não perder o conhecimento adquirido ao longo de anos pelos pesquisadores e funcionários mais antigos, seria necessário haver uma renovação mais rápida dos quadros. A assessoria diz também que a indefinição em torno da sucessão de Câmara - cujo pedido de demissão veio a público na mesma época do aniversário do instituto, em agosto de 2011 - não paralisou o Inpe. "Gilberto Câmara permanece enquanto não houver decisão do ministro", informou o instituto. "O Inpe não corre o risco de ficar sem diretor, e tudo continua funcionando". Originalmente, a saída de Câmara estava prevista para dezembro.

A ideia de vincular o Inpe à Agência Espacial Brasileira (AEB) havia sido levantada pelo atual ministro do MCTI, Marco Antonio Raupp, quando ainda era presidente da AEB, em meados do ano passado. A proposta foi combatida por Câmara, e chegou a ser dada como "morta", mas reviveu com a indicação de Raupp para o comando do ministério, a fim de cobrir a vaga deixada pelo deslocamento de Aloizio Mercadante para a pasta da Educação.

Um esboço dos planos atuais para o setor espacial foram apresentado pelo atual ministro para a Agência Fapesp, e também aparece descrito em nota publicada no website do Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindCT). Ao sindicato, Raupp disse que a subordinação do Inpe à AEB se enquadra numa reestruturação mais geral do ministério, com o objetivo de alinhar os institutos de pesquisa às agências e secretarias das áreas afins.

À Fapesp, o ministro citou, como exemplo dos alinhamentos que deverão ocorrer, o caso da Secretaria de Política de Informática, que na nova estrutura ficaria responsável por supervisionar o trabalho de todos os institutos que realizam estudos nessa área. "Acho isso muito importante para justificar a existência desses institutos. Não tem sentido eles ficarem se comportando como institutos universitários", disse ele à agência. Ao sindicato, Raupp acrescentou que a demora na nomeação de um sucessor para Câmara ocorre por conta da necessidade da reestruturação do ministério.

Em nota publicada em seu site, o SindCT manifestou preocupação com "várias incertezas" do setor aeroespacial, incluindo "a demora na nomeação do novo diretor do Inpe, a contratação de funcionários temporários em detrimento da abertura de mais vagas para concursos e a baixa autoestima dos servidores pela falta de perspectiva profissional".

O MCTI foi procurado pela reportagem da Inovação Unicamp, por meio de sua assessoria de imprensa, mas não se manifestou.