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Panorama Brasil

Inovações podem vir de descobertas científicas

Publicado em 27 maio 2010

BRASÍLIA - A química é uma das áreas onde a conexão entre o setor industrial e o acadêmico está mais sedimentada, de acordo com a avaliação do coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Energia e Ambiente e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Jailson Bittencourt de Andrade.

Atualmente, segundo ele, o desafio da área é tirar o foco da disciplina em si e inseri-la numa abordagem mais ampla, que engloba ambiente, vida e produção de materiais.

"O importante é como a química se relaciona com as outras áreas", observou Andrade que participou hoje (27) da plenária Ciência Básica e Produção do Conhecimento: Um Desafio para o Brasil, na 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Em todas as áreas do conhecimento, segundo ele, ainda é nova a percepção de que é possível conectar a ciência básica com a tecnologia.

De acordo com o pesquisador, para promover a inovação é essencial investir em educação, especialmente na qualificação profissional. "A chave para o desenvolvimento tecnológico e para o Brasil crescer a uma taxa de 5% ao ano é a qualificação. É preciso educar para inovar e inovar para educar", disse.

Além do investimento em ensino básico, ele defende a redefinição da estrutura das universidades, acabando com a lógica da divisão em departamentos e criando condições tais como: autonomia institucional, sustentabilidade financeira, inteligência e liderança.

O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, coordenador da plenária, lembrou que há ações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no sentido de ampliar a formação de professores de ciências no ensino básico, um dos desafios apontados para aumentar a conexão entre ciência pura e suas aplicações.

"Outro desafio, nesse sentido, é a identificação de novos talentos. Isso tem se conseguido com a realização das olimpíadas de várias áreas, como a de matemática. Há também iniciativas de programas de ensino em ciências. Mas ainda há muito a fazer, disse Palis.

Perguntado sobre a importância da absorção de mestres e doutores no mercado de trabalho e nas instituições de pesquisa, o presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique Brito, afirmou que a fundação tem um programa que propicia o aproveitamento desses profissionais. Segundo ele, se o Brasil quiser ser mais competitivo em termos de desenvolvimento científico e tecnológico, tem que aproveitar melhor os profissionais com doutorado e pós-doutorado.