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Agência Gestão CT&I

Inovações em materiais magnéticos são debatidas por especialistas

Publicado em 22 setembro 2015

O estado da arte dos materiais magnéticos e a evolução das tecnologias a eles relacionadas foram discutidos na 22ª edição da Soft Magnetic Materials Conference (SMM), que ocorreu em SãoPaulo, na semana passada. Pela primeira vez o evento, organizado bianualmente por entidades europeias ligadas ao setor, foi realizado no continente americano.

 

Para o presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e coordenador da conferência, Fernando Jose Gomes Landgraf, a escolha do Brasil evidencia a importância do País na área. “O Brasil é reconhecido internacionalmente especialmente pelos estudos sobre as relações entre a microestrutura dos materiais e as propriedades magnéticas, algo de grande relevância para o desenvolvimento da área”, destacou.

De acordo com Landgraf, o entendimento da engenharia dos materiais é importante para que sejam desenvolvidos materiais facilmente magnetizáveis e desmagnetizáveis que gerem movimento com menor dissipação de energia, entre outros aprimoramentos. “A transformação de eletricidade em movimento por meio do magnetismo envolve perda de energia, e um dos desafios é fazer com que esse processo ocorra com o mínimo de perda possível”, explicou.

A dissipação de energia nos materiais magnéticos é bastante estudada, assim como o desenvolvimento de novos materiais mais eficientes para a indústria. As pesquisas, segundo o presidente do IPT, são ainda mais importantes, considerando que 1% de todo o aço do mundo é usado nesse tipo de aplicação. “São 10 milhões de toneladas de aço por ano fabricados e usados em motores elétricos, sendo que o Brasil produz 500 mil toneladas com esse fim”, disse.

Entre os avanços do Brasil no desenvolvimento de novos materiais magnéticos, foram apresentados trabalhos realizados na Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da Universidade de São Paulo (USP) para aumentar a magnetostricção dos materiais – a capacidade de materiais ferromagnéticos se deformarem devido à presença de um campo magnético externo.

Também foram destacados novos investimentos na indústria do setor, como o da empresa Aperam, companhia de aços inoxidáveis, aços especiais elétricos e ligas de níquel. Em 2016, será lançado o aço elétrico de grão superorientado (HGO), material utilizado na produção de transformadores de alta eficiência. O projeto, que contará com investimentos de mais de US$ 15 milhões, promete oferecer ao mercado um produto de maior permeabilidade e melhor eficiência energética, ou seja, transformadores menores e mais eficientes.

(Agência Gestão CT&I, com informações da Fapesp)