Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Inovação tecnológica

Publicado em 04 julho 2017

O Brasil se tomou um gigante mundial do agronegócio a partir dos estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tem universidades de ponta como a USP e Unicamp e instituições de fomento ao trabalho científico, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Mesmo assim o País ainda tem uma presença mundial muito tímida quando o assunto é inovação tecnológica: confom1e o ranking da área, elaborado pela Organização Mundial da Propriedade Industrial (OMPI), o Brasil está em 692. em um total de 127 posições. Entendese que fique atrás dos líderes Suíça, Suécia, Holanda e Estados Unidos, que são potências há mais de um século, mas se lamenta perder para Cingapura, Coreia do Sul, Estônia e República Tcheca. Apesar de suas dimensões continentais, uma população de mais de 200 milhões de habitantes e uma extensa infraestrutura de ensino, a produção brasileira deixa a desejar. Para especialistas, falta um "ecossistema" de criação intelectual, foco e desburocratização.

Além das conquistas da Embrapa, o Brasil produz excelência em outras frentes, como a aeroespacial, concentrada na Embraer. Com uma economia entre as maiores do mundo, fica dificil o País não produzir inovações em meios de uso intensivo da tecnologia, mas faltam organização e planejamento, desde a formação universitária, o apoio financeiro, o trânsito das pesquisas entre o instituto científico e as empresas que se aproveitarão delas e finalmente o desembarque das novidades na sociedade.

De tempos em tempos se escuta as dificuldades dos cientistas do Brasil de manter verba suficiente ou de forma estável para conduzir seus estudos. Na crise atual, o que se diz é que já há uma debandada para outros países, o que propicia levar para nações concorrentes a inovação que começou a brotar por aqui. A queda da arrecadação dos governos tem impacto direto nas fontes de recursos. Sem dinheiro, nossos pesquisadores têm duas opções: perder o que desenvolveram ou buscar uma nova carreira no exterior.

A Baixada Santista também serve de exemplo para a dificuldade em fazer a ciência andar. A vinda da Petrobras e da área de petróleo da USP trouxe junto o sonho da pesquisa em larga escala. Até agora não se viu grande avanço nessa área e as notícias que se tem é da desaceleração da estatal em seus investimentos e da frustração com a formação de um polo industrial ou de serviços petrolíferos.

O Brasil é um vencedor no agronegócio, mas esse setor é basicamente de commodities - seus preços seguem as cotações internacionais. Não saem mais caro daqui porque usaram tecnologia inovadora. Fala-se muito em reorganizar a pesquisa científica e os processos de inovação no País, mas assim como em outras áreas, há muita discussão e pouca mudança prática. É preciso mudar o imobilismo no País em muitas frentes.