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INOVAÇÃO – Produto com nanotecnologia libera água e nutrientes gradualmente na lavoura

Publicado em 23 setembro 2019

Por Joana Silva |Embrapa Instrumentação

Pesquisadores desenvolveram um novo fertilizante à base de hidrogel modificado, capaz de reunir em um único produto água e nutrientes e fazer a liberação de forma gradual. Seu uso racionaliza o emprego dos nutrientes, que são disponibilizados às plantas paulatinamente, ação obtida por meio de nanotecnologia. Desse modo, o produto reduz as perdas geradas por carreamento, que provocam impactos ambientais e financeiros. Além disso, a tecnologia é um modo de aumentar os intervalos de irrigação, uma vez que a água também é liberada aos poucos pelo produto, promovendo manejo hídrico mais eficiente e reduzindo custos.

Outra vantagem para o agricultor é que o custo de produção é cerca de 50% menor comparado aos produtos convencionais que, em média, custam em torno de R$ 45,00 o quilo, são exclusivos para a retenção hídrica e não fazem a liberação controlada dos nutrientes.

Nomeado de Fertgel, o produto pode ser aplicado em culturas anuais e sazonais de lavouras de pequeno ou grande porte, com formulações próprias para cada cultura. A aplicação no solo pode ser em pó ou em formato de gel. A proposta é atender também grandes cadeias produtivas, como soja, milho e laranja, entre outras. Os ensaios preliminares mostraram o potencial de produção em larga escala, de forma sustentável e economicamente competitiva.

O desenvolvimento realizado no Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio (LNNA), da Embrapa Instrumentação (SP), gerou uma spin off (derivada), a empresa Fertgel.

Para desenvolver a solução, os pesquisadores usaram nanotecnologia para adicionar modificantes no material. Com a incorporação de um argilomineral, foi possível aumentar a capacidade de armazenar água, carregar os nutrientes e liberá-los de maneira gradativa. Modificantes contidos na fórmula são os responsáveis pela liberação controlada e pela redução do custo de produção.

– A formulação diferenciada do hidrogel abre uma nova fronteira no mercado de fertilizantes – afirma o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Instrumentação, José Manoel Marconcini.

A atual fase da pesquisa de escalonamento da síntese dos materiais conta com apoio do programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do projeto “Produção de hidrogéis para aplicações agrícolas”, coordenado pelo proprietário da empresa Fertgel, o químico Adriel Bortolin.

Nessa etapa, pretende-se avaliar a qualidade do material sintetizado em quantidades diferentes em um projeto-piloto em planta industrial. Bortolin disse que também quer identificar possíveis fornecedores, nacionais e internacionais, de matéria-prima para a produção dos hidrogéis nanocompósitos.

Nano Trade Show

O novo produto será apresentado na 4ª edição da Nano Trade Show, de 25 a 27 de setembro, em São Paulo. A empresa Fertgel, mesmo nome da tecnologia, busca investidores para promover a entrada do produto no mercado até o próximo ano.

O nascimento de uma empresa

O novo fertilizante desenvolvido no LNNA envolve esforços de uma equipe multidisciplinar, empenhada há mais de uma década em diversos estudos que resultassem em um material capaz de absorver mais água, carregar, reter e liberar, de forma controlada, macro e micronutrientes.

Com a dificuldade de encontrar uma instituição que reunisse todas as competências em conhecimento químico, de materiais e de aplicação no agro, a solução foi criar uma empresa nascente.

Assim nasceu a spin off Fertgel, com foco na finalização e exploração do produto, que recebeu o mesmo nome da empresa. À frente do empreendimento está Bortolin, que já havia abordado a aplicação de hidrogéis para uso agrícola na dissertação de mestrado. Naquela etapa, foram realizados ensaios em pimentão e tomate em parceria com a Embrapa Hortaliças (DF), com resultados promissores.

No doutorado, realizado no programa no Departamento de Química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Bortolin avançou na pesquisa iniciada em 2006 por Fauze Ahmad Aouada, atualmente professor da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), campus Ilha Solteira (SP), nas ações da Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio (Rede AgroNano) e do Programa Embrapa Labex.

Bortolin foi acompanhado por especialistas no desenvolvimento de novos materiais, como o pesquisador Luiz Henrique Capparelli Mattoso, responsável pela introdução do tema na Embrapa Instrumentação, além dos cientistas Marconcini e Caue Ribeiro, da mesma unidade de pesquisa.