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Diário do povo - Campinas

Inovação pauta fórum em Campinas

Publicado em 18 outubro 2016

Startups e grandes empresas estarão no Inova Campinas: a expectativa é de que evento possa ajudar a injetar US$ 150 mi em novos negócios de base tecnológica

 

Começa nesta quinta-feira (20) a terceira edição do Inova Campinas, Fórum Regional de Inovação e Desenvolvimento Sustentado, evento de inovação e tecnologia que integra o calendário da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e que vai promover uma série de debates e encontros de negócios para discutir inovação e tecnologia, além de meios para que esses dois itens possam gerar emprego, renda e desenvolvimento.

 

O evento, no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), é aberto ao público, deve atrair cerca de mil pessoas e viabilizar a injeção nas empresas e startups de base tecnológica de pelo menos US$ 150 milhões (que virão de um fundo de investimento criado por universidades dos Estados Unidos dispostas a apoiar ações inovadoras na região).

 

Nos dois dias serão geradas inúmeras oportunidades de negócio, reunindo cerca de 50 entidades — entre grandes empresas, startups e instituições de pesquisa. Uma feira de tecnologia no hall de entrada do IAC é um dos destaques nos dois dias do evento. Nela, startups e instituições de pesquisa vão apresentar suas tecnologias e realizar reuniões para potencializar seus negócios com investidores, clientes e parceiros. São 23 startups e 27 instituições de pesquisa confirmadas.

 

O Inova Campinas é uma das apostas da força-tarefa criada na cidade pelos responsáveis pelos principais núcleos de produção tecnológica local, que iniciou neste segundo semestre de 2016 uma campanha para que a cidade assuma de fato, e de direito, sua vocação no setor de inovação e tecnologia.

 

O objetivo é que Campinas não tenha apenas o título de “Vale do Silício Brasileiro”, mas que consiga tirar isso do papel, fomentar negócios, atrair investimentos, gerar empregos, criar eventos e assumir a função de referência internacional no setor, aglutinando não só boas ideias e parceiros que as executem, mas também investimentos e receitas gerados por todo esse mercado.

 

Uma lista de 12 municípios, entre os quais Barcelona (Espanha), Hannover (Alemanha), Helsinque (Finlândia) e Austin (EUA), têm exemplos que deram certo na área de tecnologia e vão servir de modelo para medidas que serão implementadas em Campinas. Uma das propostas é criar um evento na cidade que seja referência mundial para inovação e desenvolvimento de aplicativos da mesma forma que Barretos tem sua imagem ligada a rodeios e Ribeirão Preto a uma feira de agronegócios.

 

Fernando Gracioli Teixeira, um dos fundadores da V8 Startup, que participa de um dos encontros do Inova Campinas, acredita que ele possa servir para criar elos importantes dentro da cadeia produtiva da inovação, além de aproximar atores envolvidos nesse tipo de projeto.

 

“O objetivo é conectar as três pontas. As grandes empresas, que são os clientes que têm necessidade de alguma solução, a startup, que se propõe a viabilizar o projeto sob o ponto de vista técnico, e os laboratórios, que são em geral os centros de pesquisa que cederão espaços que podem ser compartilhados — e que ao mesmo tempo acabam ficando mais perto da inovação”, disse Teixeira.

 

Esses laboratórios, segundo Teixeira, têm estrutura de qualidade e espaços com tempo disponível para poder receber projetos de startups e novação. “Isso acontece no mundo todo”, disse.

 

Vinificação

 

Um dos projetos que a V8 está tocando está ligado ao setor produtivo de vinhos, que avança em tecnologia e ganha cada vez mais espaço no mercado em todo o mundo. Sem poder dar detalhes, Marina Khattar, também fundadora da V8, conta que a proposta é utilizar o trabalho de ponta de uma pesquisadora de Campinas que desenvolveu uma enzima usada no processo de vinificação, e conectá-lo a um tradicional produtor estrangeiro. “O trabalho já está amarrado com um importante polo de pesquisa na cidade”, afirma.

 

“Campinas tem grandes centros de pesquisa, laboratórios e universidades, além do movimento de startups em crescimento. Além disso, o poder público está envolvido nisso e o mercado consumidor é um atrativo à parte. Isso tudo já é um grande passo para se tornar referência em inovação e tecnologia. Não me preocupo muito em ficar falando que somos o Vale do Silício brasileiro, como acontece em outras cidades e até em Campinas mesmo. Minha preocupação é conectar isso na prática, sem muito discurso”, afirmou Teixeira.

 

Além disso, para ele, é importante que uma região tenha casos inspiradores e que sirvam de modelo para aquilo que está sendo planejado. E ele citou como exemplo o caso da Movile, empresa de tecnologia com base em Campinas, que atua em diferentes setores e caminha para ser o primeiro “unicórnio brasileiro”.

 

Frentes

 

Outro caso citado pela dupla da V8 é o projeto desenvolvido em parceria com o Grupo RAC, que tem três frentes de ação já definidas e em andamento. Uma é voltada para o setor de comunicação, outra para a educação e uma terceira para capacitar jovens em vulnerabilidade social na área de informática e programação.

 

“Ainda não podemos dar detalhes do que está sendo feito, mas posso adiantar que planejamos usar metodologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (em inglês para Massachusetts Institute of Technology, ou MIT) — universidade privada de pesquisa localizada em Cambridge, no Estado de Massachusetts, nos Estados Unidos.”

 

Teixeira e Marina se apresentam no segundo dia do evento, sexta-feira, a partir das 10h. Eles vão contar um pouco mais sobre a experiência que estão desenvolvendo. Veja a programação completa em quadro nesta página.

 

IAC

 

Diretor do IAC, Sergio Carbonell, destacou o papel da Ciência e Tecnologia (C&T) como libertadora dos avanços e melhorias e pontuou a atuação da instituição centenária no desenvolvimento de novos produtos que geraram impacto para a sociedade, desde a cultura do café até a técnicas mais modernas de biotecnologia, melhoramento genético. Paixão nacional, o feijão-carioca, como lembrou, nasceu dentro dos portões do IAC. Novas tecnologias garantem ao produto suportar o estresse hídrico e reduzir uso de irrigação.

 

Fundação tem objetivo de potencializar ‘parques’

 

Campinas ainda é a única cidade do País que possui cinco parques tecnológicos - Ciatec, CpqD, Renato Archer, Parque Científico e Tecnológico da Unicamp e TecnoPark. “Se somados, os cinco parques, que não ficam juntos, seriam o maior da América Latina”, disse José Eduardo Azarite, que lidera a “força-tarefa” de inovação na cidade, preside a Fundação Fórum Campinas Inovadora e é ainda vice-presidente Comercial e de Negócios do CPqD.

 

A Fundação Fórum Campinas Inovadora será o catalizador dessa empreitada. Criada oficialmente em 2002, ela vem atuando na região desde 1999 e ganhou reforços de peso recentemente. Entre eles, Agemcamp, Fiesp, Ciesp, institutos de pesquisa, polos Ciatec e TecnoPark e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. “A fundação tinha antes cunho mais acadêmico e de pesquisas, mas hoje está aberta para atrair e conviver com mais gente de outras áreas”, diz Eduardo Gurgel do Amaral, diretor da fundação e também do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp.

 

“Ela vai assumir o papel de guardião dos projetos de longo prazo que precisam ser pensados para a cidade. Para evitar que eles se percam com o tempo, com as mudanças de governo”, disse José Eduardo Azarite. Entre os principais objetivos da iniciativa estão a atração de empresas, a formação de mão de obra qualificada, a necessidade de influenciar a tomada de decisões quanto a políticas públicas e à proposição de modelos de desenvolvimento que possam ampliar a qualidade de vida e a sensação de bem-estar das pessoas. Para isso, seria preciso pensar com cuidado em projetos, por exemplo, para as áreas de transporte e mobilidade urbana e moradia. O evento também contará com palestrantes internacionais. O primeiro dia começa com um debate sobre Conhecimento, Inovação e o Impacto no Desenvolvimento Regional, com a participação de Ben Fisher e Louise Kempton, da Universidade de Newcastle (Reino Unido), e Antonio Galvão, da Unicamp.

 

SAIBA MAIS

A 3ª edição do Inova Campinas conta com o patrocínio da Prefeitura de Campinas, da Desenvolve SP, da Fapesp, da Somorelate Business Development e da Terras do Barão Empreendimentos. Apoiam o evento o IAC, o Grupo RAC, o V8 Startups, o Lide, a Inova Unicamp, o Ciesp Campinas, o CRC&VB, a ACS, a Incamp, a IMA, a Anpei, o SindusCon, a Inova Ventures Participações, o Núcleo Softex Campinas, o Movimento 100 Open Startups e a Baita Aceleradora.