Notícia

A Folha (São Carlos, SP)

Inovação e nanotecnologia em materiais cerâmicos

Publicado em 20 maio 2007

O Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMD-MC) realiza pesquisas em parceria com indústrias visando inovação em processos e pro dutos. Dirigido pelo professor Elson Longo, o Centro faz parte do programa Cepids (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão) da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
O Centro reúne pesquisadores do Liec (Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica) da UFSCar e Unesp, USP - São Carlos e Ipen.
O diretor de Inovação do CMDMC, José Arana Varela, professor do Instituto de Química da Unesp, campus de Araraquara e Pró-Reitor de Pesquisa da Unesp, fala nesta entrevista dos projetos em desenvolvimento, das parcerias com indústrias e das empresas spin off - nascidas dentro dos laboratórios.
O Centro é uma referência em pesquisas em nanotecnologia.

CSN
A mais antiga e longa parceria, que demonstra a competência do Centro em desenvolver projetos com indústrias, é com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). 'Juntamente com os pesquisadores da CSN temos desenvolvido muitas inovações em várias áreas da indústria siderúrgica, desde aciaria, alto forno, laminação, etc. Essas inovações têm envolvido desde corrosão química até a utilização de nanotecnologia para resolver problemas de refratários, como coating revestimento) utilizando nanoparticulas de materiais resistentes. principalmente à corrosão, como óxido de estanho e óxido de zircônio", explica Varela. Muito recente- mente, por meio dessa parceria. foi desenvolvido um processo inédito em siderurgia para aproveitamento de rejeitos, que é uma das preocupações da CSN e do CMDMC, ou seja, como participar do desenvolvimento sustentável, com o aproveitamento máximo de rejeitos em siderurgia. "Esse processo consiste em transformar uma lama (formada de óxido de ferro e argila), que é um rejeito de alto forno e de aciaria, em ferro metálico (guza), o qual é re aproveitado na formação do aço. E a argila é uma escória que tem outras aplicações. Mas o grande problema era o óxido de ferro, que agora é reduzido em um processo inovador, que está sendo patenteado em nível internacional".

Togni
Na área de novos refratários, o CMDMC desenvolve também projetos em parceria com a Togni S/A Materiais Refratários, visando melhorias nas propriedades termomecânicas, ou seja, para que essas cerâmicas não venham a sofrer problemas de integridade durante o uso. As cerâmicas refratárias são utilizadas a altas temperaturas e devem ter certa resistência à corrosão e esforços mecânicos.

CBMM
Outra empresa que tem projetos em interação com o Centro Cerâmico é a CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), do Grupo Moreira Salles, principalmente no aproveitamento do nióbio (óxido de nióbio) com o desenvolvimento de nanopartículas para aplicação nobre do óxido de nióbio. A CBMM, como se sabe, é a maior produtora de nióbio do mundo e busca aplicações com novas tecnologias. "O nióbio é participante de uma série de materiais e tem propriedades importantes nos semicondutores, materiais ferroelétricos e dielétricos. E um elemento que melhora muito as propriedades dos materiais, especialmente cerâmicas eletrônicas. Essas propriedades são melhoradas quando se trabalha em nível de nanoestruturas. O nióbio também é um elemento usado para catálise e, evidentemente, o desenvolvimento de novos processos e novas partículas em nível nanométrico é importante para a empresa, pois representa um novo produto a ser vendido para as indústrias eletro-eletrônicas desenvolverem outros produtos", explica Varela.

Faver Castell
Com a Faber Casteli, multinaciónal instalada em São Carlos, que passou a desenvolver bastante pesquisa no Brasil, o CMDMC desenvolveu projeto de melhoria do grafite, da propriedade mecânica e maciez, envolvendo nanotecnologia. "O grafite usado para a escrita ou para a beleza teve um ganho de qualidade e concorre com as outras empresas internacionais, principalmente as japonesas", comenta.

Engemasa
Com a Engemasa, empresa de São Carlos, o CMDMC está desenvolvendo um produto para craking do petróleo. "Estamos aplicando nanopartículascerâ micas para revestimento visando evitar a corrosão desses tubos. É um trabalho que está em andamento e os resultados são extremamente promissores".

Fármacos
Recentemente o Centro Cerâmico recebeu um desafio importante na área de saúde, para realizar projetos em conjunto com o Instituto Internacional de Pesquisas de Fármacos, que é financiado pela EMS, uma empresa nacional que está investindo em pesquisa boa quantidade de dinheiro relativo ao lucro das vendas de seus produtos farmacêuticos. "Com esse Instituto, elaboramos projetos com a Finep para criar novos produtos, principalmente para desenvolver materiais nanoparticulados para a entrega de medicamentos no local que o corpo necessita. A idéia é entregar o medicamento aonde há alterações celulares", conta Varela.
O Centro Cerâmico, com a experiência acumulada em pesquisa com nanopartículas inorgânicas, está também desenvolvimento nanopartículas orgânicas.

Indústria cerâmica
Um setor industrial importante para o Brasil, que tem uma exportação muito grande, é a indústria cerâmica. E a chamada cerâmica tradicional, mas que tem uma série de problemas na inovação tecnológica, incluindo a melhoria dos produtos, melhor classificação da matéria-prima utilizada e, principalmente, no design. O Centro Cerâmico tem contribuído com indústrias cerâmicas (fabricantes de pisos e azulejos) e também com empresas produtoras de cerâmicas artísticas. "Temos colaborado com empresas de cerâmica artística em Porto Ferreira e Pedreira, visando melhorar a qualidade dos produtos para ampliar as esportações".
No caso da industria de pisos e azulejos, o CMDMC tem uma colaboração muito estreita com o Centro Cerâmico do Brasil (CCB), uma organização visa avaliar a qualidade dos produtos cerâmicos.
Na área de design o Brasil ainda esta engatinhando e precisa avançar muito.
"Estou convidai Unesp vários pesquisadores de Milão, Itália, pan realizarem um workshop no Brasil, aproveitando o curso de design que a Unesp ma Bauru. A Itália tem um design muito bom em toda as áreas, principalmente em cerâmica, tanto de revestimento quanto de louças cerâmicas" disse Varela.