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Inovação deve ser prioridade

Publicado em 15 outubro 2012

Por Milton Luiz de Melo Santos

Um país só atinge um avançado grau de desenvolvimento se investir fortemente em inovação tecnológica, pesquisa e capital humano. Esse conceito foi o alicerce do crescimento de países como Estados Unidos, Japão e Alemanha, para citar só alguns, e está se tornando unanimidade nas nações em desenvolvimento, como a China e a Índia. No Brasil, apesar de termos avançado muito nos últimos anos, a produção tecnológica ainda caminha devagar.

Um dos índices que servem para medir o desempenho dos países em relação à produção de inovação tecnológica é o número de patentes registradas na Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), por meio do Tratado de Cooperação de Patentes (PCT na sigla em inglês).

Nesse levantamento, o Brasil ocupa o 24º lugar num ranking de 144 países, com 572 pedidos de registros de patentes em 2011. Mesmo com a melhora de 17,2% em relação a 2010, ficamos atrás de outros países em desenvolvimento como China (4º lugar), Índia (17º) e Rússia (21º).

Se regionalizarmos o problema, o cenário no Estado de São Paulo não reflete a ordem nacional. Graças a uma política de desenvolvimento voltada ao incentivo à inovação e à pesquisa, São Paulo se destaca cada vez mais como polo da produção científica do país, com centros de conhecimento reconhecidos internacionalmente, como a USP e a Unicamp, por exemplo, e como grande celeiro de incubadoras de empresas inovadoras.

De acordo com pesquisa realizada pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), São Paulo é o estado que reúne o maior número de incubadoras implantadas, são 187 de um total de 384 em todo o país.

O Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), ligado à USP, é hoje um dos maiores pólos incubadores da América Latina, com 125 empresas em gestação e que faturaram mais de R$ 50 milhões em 2011.

Além de aumentar a produção científica, outro desafio a ser enfrentado pelo país é transformar esse material acadêmico em produtos com grande valor agregado e as empresas inovadoras em empreendimentos economicamente viáveis. Nesta fase, o apoio de instituições de fomento e investidores-anjo é essencial.

Em São Paulo, o governo do estado, por meio da Desenvolve SP, lançou recentemente o Programa São Paulo Inova, juntando em uma só iniciativa, os benefícios do financiamento sustentável ao dinamismo dos Fundos de Investimento em empresas emergentes (capital-semente).

O São Paulo Inova, além de financiar empresas inovadoras em estágio inicial ou as já constituídas, com linhas de crédito com juros diferenciados, que podem chegar à zero, traz um conceito pioneiro ao propor a constituição de um Fundo de Investimento em empresas inovadoras.

Liderado pela Desenvolve SP, o Fundo deverá ter um patrimônio de R$ 100 milhões e já conta com investidores como Finep, Fapesp e Sebrae-SP. Aumentar a produção científica e a criação de produtos com alto valor agregado precisa ser uma prioridade para o país.

A inovação tecnológica está no DNA do Estado de São Paulo. Temos o desafio de continuar na liderança desse mercado e cada vez mais oferecer as condições necessárias para formar talentos e atrair empresas inovadoras, capazes de contribuir com o crescimento e o desenvolvimento sustentável da economia.

Por DCI - SP - Milton Luiz de Melo Santos **

Milton Luiz de Melo Santos é economista e presidente da Desenvolve SP - Agência de Desenvolvimento Paulista