Tecnologia emprega aprendizado de máquina em imagens de satélite para identificar áreas agrícolas com uso de plástico
O uso de plástico na agricultura, conhecido como plasticultura, tem se mostrado uma solução eficiente para proteger culturas, otimizar a produção e minimizar o uso de agroquímicos. Embora esse material tenha revolucionado o setor agrícola, sua gestão inadequada gera impactos ambientais significativos.
Front view spacious and reliable greenhouse with red strawberries in green rows. Concept of juicy fresh strawberries growing in large windproof hothouse.
Diante disso, o CEP (Centro de Engenharia da Plasticultura), com apoio da FAPESP e da Braskem, desenvolveram um sistema de sensoriamento remoto. A tecnologia emprega aprendizado de máquina para analisar séries temporais de imagens de satélite e identificar, com altíssima precisão, áreas agrícolas que utilizam a plasticultura no manejo.
Entre os principais focos da pesquisa está a identificação do mulching, técnica que utiliza filme de polietileno para otimizar o cultivo. Assim, mantendo o solo na temperatura e umidade ideais, além de minimizar o crescimento de plantas daninhas. Com isso, a plantação obtém os recursos essenciais de forma balanceada.
Embora o mulching utilize menos plástico do que as estufas, sua necessidade de substituição a cada safra aumenta o risco de poluição plástica na agricultura.
Nesse sentido, Marlon Fernandes de Souza, pesquisador do CEP, explica: “A estufa, por sua vez, é mantida por quatro ou cinco anos. Além disso, o mulching fica em contato direto com a terra e, se manejado de forma incorreta, pode deixar pedaços”.
Circularidade do plástico no campo
Segundo o engenheiro agrícola ambiental, o descarte inadequado de materiais usados na agricultura tem gerado preocupações em várias regiões. Assim, tornando-se um problema ambiental significativo. Por isso, Souza ressalta: “Nosso projeto busca determinar a quantidade de resíduo produzida e propor soluções para gerenciá-lo de maneira sustentável.”
Antes dessa pesquisa, não se conhecia com precisão a extensão do uso de mulching no Brasil, uma informação que nem mesmo a indústria possuía.
Assim, ele explica: “O 1º passo foi descobrir onde o plástico é utilizado e em que quantidade. “Até então, as informações eram fragmentadas. Com imagens de satélite, conseguimos delimitar essas áreas e obter dados com precisão próxima a 100%.”
Na visão do pesquisador, o estudo realizado pelo CEP e publicado na Environmental Science and Pollution Research contribui de forma relevante para a adoção da circularidade dos plásticos na agricultura brasileira.
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