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Diário da Saúde

Inovação brasileira amplia eficácia de medicamento em cinco vezes

Publicado em 28 janeiro 2020

Por Agência FAPESP

Testes com camundongos infectados por parasitas causadores de malária mostram que inovação permite aumentar em cinco vezes a ação do medicamento.

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram uma tecnologia capaz de aumentar o potencial terapêutico de medicamentos e vacinas.

A inovação consiste em uma nova forma de encapsular os fármacos, usando nanopartículas feitas de material gorduroso.

Essas nanoestruturas lipídicas foram originalmente desenvolvidas por pesquisadores do MIT (EUA), mas o funcionamento não era tão bom quanto o esperado porque as partículas originais possuem múltiplas camadas e ligações covalentes.

A equipe brasileira trocou essas ligações covalentes por pontes de hidrogênio, criando estruturas cinco vezes menores, com menos camadas e que se atraem mutuamente.

"Isso faz com que o fármaco ou o antígeno se estabilize no interior das partículas. Além de permitir que o medicamento atue por mais tempo no organismo, as nanoestruturas também ajudam a diminuir efeitos colaterais, uma vez que reduzem em 50% a dose necessária para o tratamento," contou o pesquisador Wesley Luzetti Fotoran.

Cinco vezes melhor

Os testes nas novas nanopartículas lipídicas foram feitos com camundongos infectados com parasitas causadores de malária, das espécies Plasmodium falciparum e Plasmodium berghei.

Os cientistas usaram as novas partículas para carrear um medicamento clássico contra a doença, a cloroquina, por meio de injeção. O resultado foi que o efeito da droga foi multiplicado por cinco.

Como a cloroquina já não é mais usada para tratar malária, devido ao alto índice de resistência, em outro ensaio o pesquisador usou a artemisinina, droga mais prescrita atualmente, e observou resultados similares.

"Nossa técnica permite entregar um conjunto de estruturas menores, que chegam rapidamente ao alvo e lá permanecem por mais tempo. A grande vantagem dessas nanoestruturas é a pluralidade de aplicações. É possível usá-las para carrear qualquer tipo de agente terapêutico e no tratamento de diversas doenças", afirmou o pesquisador.

O próximo passo será testar as partículas em outros modelos de estudo. Segundo o pesquisador, não é possível prever quando a inovação chegará ao mercado porque ainda serão necessários mais testes in vivo e, só então, a tecnologia poderá ser testada em humanos.

Checagem com artigo científico:

Artigo: A multilamellar nanoliposome stabilized by interlayer hydrogen bonds increases antimalarial drug efficacy

Autores: Wesley L. Fotoran, Thomas Müntefering, Nicole Kleiber, Beatriz N. M. Miranda, Eva Liebau, Darrell J.Irvine, Gerhard Wunderlich

Publicação: Nanomedicine: Nanotechnology, Biology and Medicine

Vol.: 102099

DOI: 10.1016/j.nano.2019.102099