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DCI

Inovação amplia espaço no interior

Publicado em 17 outubro 2003

Por Fabiana Pio
Um equipamento 100% nacional que permite conservar produtos por um longo período de tempo sem utilizar aditivos e nem causar perdas das propriedades originais foi desenvolvido pelo engenheiro Carlos Fauvel. Denominado liofilizador, a máquina é fabricada pela microempresa Terroni, que já comercializou cerca de 400 unidades no País. Já a Cientistas Associados está realizando um projeto que otimiza o sistema de energia elétrica de uma cidade por meio da visualização computacional interativa, mais conhecida como realidade virtual. Essas são algumas das empresas expositoras da Feira de Alta Tecnologia (Fealtec), que acontece até 19 de outubro no município de São Carlos, no interior de São Paulo. Para Sylvio Rosa, presidente da Fundação Parqtec, organizadora do evento e a primeira incubadora existente no País, a expectativa é receber 18 mil visitantes, três mil a que no ano passado. "Estamos ocupando um local maior neste ano. A feira tenta retratar a realidade da cidade, que reúne mais de ISO empresas de alta tecnologia. Até o final deste ano, iremos iniciar a construção do maior parque tecnológico do Brasil, o Science Park Tech, o que irá reforçar ainda mais a importância de São Carlos, conhecida como a capital da tecnologia", diz o professor Rosa. TERRONI O pesquisador Fauvel desenvolveu o primeiro liofilizador em 1978 a pedido de um professor da Universidade Federal de Minas Gerais. "Na época, ninguém sabia o que era. Hoje, ele ainda é o único nacional e custa três vezes menos que um similar importado", diz. Fauvel conta também que o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) foi um dos primeiros a utilizar o liofilizador para conservar o hormônio do crescimento, que antes era extraído da hipófise humana. Atualmente, ele é sintético. "A substância, ao ser liofilizada, dura pelo menos dois anos. Estamos querendo atuar agora na área de alimentos, fornecendo equipamentos para a indústria alimentícia. Com isso, prevemos um crescimento de pelo menos 30% ao mês nos próximos quatro anos", diz o pesquisador. O material a ser liofilizado precisa ser inicialmente congelado. Ao ser colocado no liofilizador, a água que está no estado sólido passa direto para o estado gasoso sem passar pelo líquido, o que permite a manutenção das propriedades originais. "Somente a água é retirada. Para voltar ao seu estado inicial, basta colocar a água novamente. A China liofiliza de 70 a 80 toneladas de camarão por dia para exportação. Com a liofilização, não é necessário adicionar conservantes, o que permite manter o produto na forma natural", diz Fauvel. "É diferente da desidratação, pois esta aquece o produto, o que causa perda das suas características", acrescenta o pesquisador. A Paranoá, uma das maiores fabricantes de mangueiras hidráulicas para o setor automotivo, utiliza o liofilizador para fazer testes de qualidade do produto, que o fornece para a Volkswagen. "A Volkswagen exigia esse teste de qualidade para poder adquirir as mangueiras. Na época, foi feito um levantamento de preços dos equipamentos importados. Eles custariam 300 mil marcos. Conseguimos fornecer uma máquina até melhor, por apenas R$ 40 mil", diz Fauvel. A Terroni também fornece câmaras climatizadas para a Petrobras. Nelas, a empresa pesquisa as rochas retiradas do oceano para verificar a quantidade de petróleo que pode ser encontrada na região. "A Petrobras também pretende adquirir o liofilizador para fazer a análise de algumas substâncias", diz Fauvel. Os liofilizadores da Terroni custam de R$ 30 mil a mais de R$ 300 mil de acordo com o tamanho. CIENTISTAS ASSOCIADOS A Cientistas Associados é empresa incubada do Parqtec há três anos. Ela reúne 33 funcionários e detém uma estrutura diferenciada, pois o funcionário ao obter o diploma de doutorado torna-se automaticamente sócio da empresa. "Estimulamos a especialização dos nossos colaboradores, pois queremos ser uma empresa que desenvolva tecnologias inovadoras", diz Antônio Valério Netto, gerente da divisão de consultoria tecnológica. Entre os projetos em desenvolvimento, destaca-se a criação de um sistema de energia elétrica mais eficiente. "Desenvolveremos uma cidade virtual. Por meio de uma luva virtual será possível manipular os pontos de iluminação estratégicos da cidade", diz Valério. O projeto recebe R$ 150 mil: ria Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). E tem apoio também da brasileira Absolut Technologies para o fornecimento dos equipamentos e divulgação.