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IDEA

Inovação à brasileira

Publicado em 09 novembro 2008

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, deu margem a dúvidas quando declarou surpresa e decepção com a venda das empresas de biotecnologia Alellyx e CanaVialis à multinacional Monsanto. Rezende disse preferir que ambas permanecessem em mãos de companhias brasileiras.

Admite-se que o ministro tenha ficado frustrado com o repasse das "duas jóias", como declarou ao jornal "O Estado de S. Paulo", mas foi preciso que ele explicasse por que haveria algo a deplorar numa transação que, afinal, processou-se de acordo com as regras vigentes.

Segundo Rezende, a questão a lamentar não é a compra por uma empresa estrangeira, mas a venda efetuada pela Votorantim Novos Negócios. Ou seja, a saída de um grupo nacional do investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

Alellyx e CanaVialis receberam fundos consideráveis de agências de fomento brasileiras, como assinalou o ministro. Ambas são subprodutos dos projetos genoma iniciados na década de 1990 pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Pesquisadores com espírito empreendedor deram o primeiro passo em direção ao mercado e receberam apoio tanto do poder público quanto de capitais de risco.

Se a venda agora se completa, é porque o ciclo de inovação teve sucesso. As duas empresas se dedicam a empregar técnicas de biotecnologia, como a transferência de genes, para melhorar uma cultura de enorme importância para o agronegócio no Brasil, a cana para produção de álcool e açúcar.

Ao comprar Alellyx e CanaVialis, a Monsanto chancela a excelência do que ali se desenvolvia e dá passo estratégico num setor com boas perspectivas de expansão. Como o Brasil é líder nesse campo, parece pouco provável que a multinacional se aproprie só do conhecimento gerado até aqui e transfira a pesquisa futura para além-fronteira.

Rezende diz que já se estudam maneiras de incentivar multinacionais a realizar pesquisa no próprio país. É o caminho correto a seguir: promover todas as formas de levar o conhecimento dos laboratórios para as prateleiras das empresas, sem fazer distinção entre capital estrangeiro ou nacional.

Fonte: Folha de São Paulo