Notícia

Inova Unicamp

Inova Unicamp é pauta em revista japonesa, leia a tradução e versão original

Publicado em 29 abril 2019

Por Kátia Kishi

Empreendedorismo universitário em ascensão aguarda novas indústrias

Autoria de Tetsuro Matsuno (jornalista de economia)

Tradução de Kátia Kishi e Takuya Nashimoto

Original em japonês publicado na Brasil Now

(Edição 03/2019).

Ao se falar sobre as universidades brasileiras que disputam o topo dos rankings universitários da América Latina, encontramos a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de São Paulo (USP). Ambas são renomadas no estado de São Paulo, que tem força econômica, além de se saber que há nessas universidades colaborações com empresas e apoio público à pesquisa com uma positiva implementação.

Dado que nos últimos anos a economia brasileira está estagnada, provavelmente o cenário de pesquisa e desenvolvimento (P&D) das universidades estaria enfraquecido. No entanto, essa não é necessariamente a impressão que tive ao visitar ambas as universidades em setembro de 2018. Em vez disso, notei a possibilidade de o pais se tornar um fértil solo propício para o desenvolvimento de novos negócios.

Em número de patentes residentes, a Unicamp lidera

O Parque Científico e Tecnológico da Unicamp está localizado no topo de uma colina com vista para um amplo campus. Lá, há um prédio de pesquisa onde estão localizadas empresas internacionais como a Samsung, além de startups nacionais. Trata-se de um centro de cooperação indústria-universidade da Unicamp, administrado por uma agência interna chamada Inova Unicamp. “É importante que as grandes empresas e as startups estejam fisicamente no mesmo lugar que pesquisadores e estudantes”, enfatiza o diretor da Inova, Newton Frateschi.

A Inova conecta a Unicamp com as empresas e desempenha o papel de gestão da proteção dos direitos de propriedade intelectual da universidade. O número de pedidos de patentes da Unicamp para o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) foi o melhor em todas as organizações brasileiras, incluindo empresas durante o ano de 2017 (foi 2ª melhor em 2016). Além disso, o número vem subindo vertiginosamente. Pode-se dizer que a Inova que é pioneira nas parcerias indústria-academia e foi criada em 2003, ano anterior ao estabelecimento da Lei de inovação, resultou no crescimento do número, após o desempenho de muitos anos.

A USP também é positiva no fortalecimento dos laços entre a universidade e o mundo industrial. Quando visitei o laboratório do meu conhecido Prof. Gilson Schwartz, vários jovens estavam trabalhando lá. Com o apoio financeiro das Nações Unidas, o professor está promovendo a criação de um jogo da categoria “Entretenimento da Responsabilidade Social”. Trata-se de um jogo de prevenção do crime e do racismo. Sua equipe é formada por 20 alunos de graduação, pós-graduação, freelancers e consultores que compartilham tarefas de programação, redação de cenários e produção de vídeos. Eles comentaram que estão conversando com empresas do ramo para colocarem o jogo produzido no mercado. As negociações atuais são com empresas nacionais, mas pensam em negociar com empresas do Japão, superpotência da produção de games.

Um novo centro interdisciplinar de pesquisa e inovação chamado INOVA USP está sendo construído perto do laboratório, onde quatro projetos principais serão implementados, incluindo uma pesquisa conjunta com o Instituto Pasteur na França. A USP também é uma das principais organizações brasileiras em termos de pedidos de patentes.

Acordo de parceria entre empresa e universidade

O Prof. Schwartz comenta que “o ambiente para a indústria e a academia mudou drasticamente nos últimos 10 a 15 anos”. Como resultado do estabelecimento de organizações e projetos de financiamento para apoiar a colaboração indústria-academia, ciência e tecnologia e inovação, “a falta de fundos não é problemática”, disse ele

Em tempos de crise econômica e dificuldades financeiras, há dinheiro suficiente? Segundo o relatório anual elaborado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), maior agência de apoio público do Estado de São Paulo, em 2018, a quantidade de investimento em desenvolvimento científico esteve quase estável comparado aos três últimos anos: 2015 a 2017. Certamente, o financiamento de agências públicas vem diminuindo aos poucos, nos últimos anos, e as empresas privadas marcam apenas pequena queda gráfica no investimento em pesquisas científicas. Mas o apoio da FAPESP tem aumentado bastante, desde o ano de 2010, em relação ao número de casos do financiamento.

Pesquisas colaborativas com universidades e institutos de pesquisa no estado de São Paulo estão firmando parcerias não só com empresas brasileiras, mas também com empresas multinacionais como Microsoft e Grupo Shell. Além dos efeitos de redução de custos por meio do compartilhamento de despesas com P&D, as empresas visam garantir recursos humanos com ensino superior no Brasil, visto que há também casos em que as empresas contratam recursos humanos de universidades envolvidas em pesquisas conjuntas.

Os interesses das empresas estão ligados às expectativas das universidades: A pesquisa colaborativa permite que a universidade obtenha fundos e tecnologias de pesquisa para produzir resultados e colabora no treinamento dos alunos.

Além da taxa de patentes, os professores podem esperar uma renda secundária da cooperação com o desenvolvimento de recursos humanos e treinamento em empresas. Pode-se dizer que entramos em um momento em que as universidades e os professores são incentivados a empreender [ou firmar parcerias].

Barreira de comunicação com empresas japonesas

No entanto, a barreira à interação com empresas japonesas parece alta. Além da distância geográfica, também existem diferenças de idioma e cultura. Também se ouviu que “uma subsidiária brasileira de uma empresa japonesa muitas vezes não tem autoridade para tomar decisões sobre pesquisa e desenvolvimento, e é difícil se comunicar”.

Em 2017, a taxa de patentes obtida pela UNICAMP, que zela pela proteção dos direitos de propriedade intelectual, recebeu menos de US $1,4 milhão (cerca de 40 milhões de ienes). Não se pode dizer que é uma escala de grande empresa. No entanto, vale a pena notar que, mesmo sob a recente recessão econômica, as luzes da pesquisa e do desenvolvimento continuaram a brilhar em vez de desaparecer. Certamente, há muitos pontos negativos, como estruturas econômicas que são facilmente influenciadas pelos preços das commodities e uma série de custos no Brasil, incluindo corrupção, mas, pelo menos em São Paulo, você pode sentir apenas vagando pelo campus das universidades que existe esperança no futuro.

Confira versão original em japonês: