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Inocular bactérias na cana pode ser mais eficiente que usar fertilizantes

Publicado em 13 abril 2017

A interação entre o microbioma da raiz da cana-de-açúcar e bactérias promotoras do crescimento da planta pode garantir maior eficiência às lavouras. Em solos férteis, tal interação entre microrganismos da planta e bactérias teve resultado ainda melhor do que a adubação nitrogenada, comumente usada em lavouras de cana e que tem alto poder de contaminação do solo, de rios e até do lençol freático.

É o que foi constatado na pesquisa "Harnessing the rhizosphere microbiome to enhance plant productivity", apresentada no dia 5 de abril no Biobased Economy Workshop, realizado no auditório da FAPESP, em São Paulo. O trabalho tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Netherlands Organisation for Scientific Research (NWO).

No painel apresentado por Eiko Kuramae, do Netherlands Institute of Ecology, e Adriana Silveira, do Instituto Agronômico (IAC), as pesquisadoras mostraram resultados de estudos sobre a inoculação de bactérias promotoras do crescimento da cana-de-açúcar.

equipe de pesquisadoras trabalhou com o desenvolvimento inicial da planta em vasos e o próximo passo será levar o trabalho para campo. “O que podemos afirmar até agora é que, diferentemente do que ocorre na cultura da soja – onde a recomendação é o uso do inoculante rizóbio em substituição total à adubação nitrogenada –, na cana existe a recomendação do uso de inoculantes bacterianos, mas não a total substituição”, disse Silveira.

A adubação nitrogenada é usada em grandes quantidades para a produção de etanol da cana. Estima-se que 23% do uso de nitrogênio como fertilizante no Brasil esteja em lavouras de cana-de-açúcar. Além de ser o nutriente vegetal mais caro no mercado, os fertilizantes nitrogenados têm peso importante no orçamento ambiental da produção de biocombustíveis.

Seu uso acarreta a emissão de óxido nitroso – um potente gás de efeito estufa associado ao uso de fertilizantes, contribuindo para os custos ambientais do etanol, além do alto poder de lixiviação e de contaminação do solo e de lençóis freáticos.

Com Fapesp