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GVces - Centro de Estudos em Sustentabilidade

Iniciativas texanas

Publicado em 23 março 2009

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP

O estado norte-americano do Texas quer atrair pesquisadores e empreendedores brasileiros da área de ciência e tecnologia e, para isso, pretende abrir diálogo com instituições de pesquisa nacionais para o desenvolvimento de parcerias. A afirmação é de Esperanza Hope Andrade, secretária de Desenvolvimento Econômico e Relações Internacionais do Texas.

Esperanza apresentou, na última sexta-feira, na sede da FAPESP, em São Paulo, as duas principais iniciativas do governo texano para atrair cientistas e empreendedores de outros países: o Fundo para a Tecnologia Emergente (ETF, na sigla em inglês) e a Iniciativa para a Pesquisa sobre o Câncer (CRI, na sigla em inglês).

“O ETF, criado em 2005, investe R$ 80 milhões anuais em três tipos de bolsas e subsídios para que empresas e universidades, em conjunto, desenvolvam e comercializem novas tecnologias.  A CRI, cujo orçamento foi aprovado e logo estará em operação, investirá R$ 3 bilhões, ao longo de dez anos, no fomento de pesquisas sobre o câncer”, disse à Agência FAPESP.

Os fundos têm o objetivo de funcionar como bolsas ou subsídios para quem quiser levar ao Texas inovações tecnológicas capazes de gerar empregos no estado.  Mas a secretária não descarta futuras parcerias com contrapartidas de investimentos no Brasil.

“Os estados de São Paulo e do Texas têm muitas semelhanças.  Ambos os governos estão profundamente comprometidos com a criação de empregos e com a inovação.  Um dos objetivos da nossa visita é sondar, visitar e nos aproximar de pesquisadores para que possam saber quem somos e descubram que estamos profundamente comprometidos com a inovação”, afirmou.

De acordo com a secretária, o governo texano está aberto a ideias que possam gerar parcerias que envolvam instituições paulistas.  “Consideraremos este nosso primeiro contato um sucesso se ele abrir portas para a comunicação entre os dois estados em tecnologia e pesquisa.  A intenção é conhecer-se mutuamente, mostrar o que estamos fazendo e encontrar oportunidades nas quais possamos trabalhar juntos”, disse.

Além dos recursos investidos nas duas iniciativas, o estado norte-americano pretende atrair empreendedores de outros países com a redução de custos para as novas empresas.

“O Texas tem o menor índice de impostos dos Estados Unidos e, apesar da crise, temos atualmente um bom desempenho econômico.  Além disso, o estado tem um dos mais baixos custos para a criação de empresas nos Estados Unidos.  Portanto, podemos ajudar os novos empreendedores não só com o capital, mas também com a redução de custos”, afirmou.

Além de parcerias público-privadas e relações entre empresas, a secretária contou que os projetos também são focados em contatos com as universidades.  “Damos importância às instituições de pesquisa porque é nelas que começa a inovação”, apontou.

Esperanza liderou a comitiva texana, que contou com outros integrantes do governo texano e com empresários, e foi recebida na sede da FAPESP por Hernan Chaimovich, coordenador do programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP e professor titular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo.

Pesquisa sobre o câncer

O ETF está dividido em três modalidades: subsídios de contrapartida, aquisição de pesquisa de excelência e subsídios de comercialização.  A primeira modalidade consiste em investimentos feitos em tecnologias desenvolvidas por empresas que dão contrapartida para o desenvolvimento do projeto.

“As bolsas de aquisição de excelência têm o objetivo de trazer ao Texas os melhores talentos das universidades de outros lugares do mundo.  Essa modalidade permite que as instituições de pesquisa texanas continuem a construir excelência em áreas-chave, trazendo inovação para as nossas empresas”, disse Esperanza.

Já a modalidade de subsídios de comercialização têm o objetivo de fomentar pequenos negócios para acelerar novos produtos e serviços no mercado.  “Ela é voltada para os investimentos em empresas de base tecnológica em estágio inicial, que trabalhem em parceria com as universidades locais”, explicou.

A Iniciativa para a Pesquisa sobre o Câncer, que acaba de ser lançada, investirá anualmente R$ 300 milhões, durante os próximos dez anos.  Segundo Esperanza, os recursos já foram aprovados e o governo texano está montando o Instituto de Pesquisa e Prevenção do Texas (CPRIT, na sigla em inglês), que será responsável pela gestão dos investimentos.

“Com uma iniciativa dessas proporções, o Texas terá a oportunidade de assumir a liderança em estudos sobre o câncer, financiando colaborações entre grupos de cientistas, pesquisa básica e testes clínicos nessa área.  Acreditamos que será uma oportunidade sem precedentes para fazer progressos na luta contra essa doença”, afirmou.