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Clube do Seguro (Feira de Santana, BA)

Iniciativas que integram jovens e idosos são apresentadas no III Fórum Internacional de Longevidade

Publicado em 23 outubro 2015

O relacionamento entre jovens e idosos é um dos pilares de várias iniciativas apresentadas na última etapa do III Fórum Internacional de Juventude, realizado hoje e ontem no Centro de Convenções do Grupo Bradesco Seguros, que é o patrocinador do evento. Iniciativas de Israel, Argentina e do Brasil vêm promovendo a integração entre jovens e idosos de forma a contribuir não apenas para quebrar o estigma em relação aos mais velhos, como também para aumentar as ações pela melhoria da qualidade de vida da terceira idade.

A presidente do Centro Internacional de Longevidade de Israel, Sara Carmel, apresentou um projeto, patrocinado pelo Ministério para os Idosos israelense, em parceria com vários colégios, para incluir pessoas com mais de 60 anos nas aulas de vários cursos do ensino fundamental, inclusive técnicos, lado a lado com os jovens. A interação entre a juventude e os idosos, além de prover uma ocupação útil para os mais velhos, recebeu a aprovação de 90% dos alunos adolescentes, em pesquisa realizada pelo projeto. Numa das escolas, um senhor de mais de 90 anos ensinou um jovem a jogar xadrez e passou a ser seu parceiro regular de jogos de videogames.

No Brasil, a Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati), projeto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) iniciado em 1993, recebe regularmente cerca de 3 mil idosos em seus 150 cursos específicos para terceira idade, promovendo sua convivência com os 30 mil adolescentes de suas cadeiras regulares, de acordo com Renato Veras, diretor da Unati.

Já a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que também oferece cursos para pessoas com 60 anos ou mais, criou em 2009 o programa Bairro Amigo do Idoso, para estudar e desenvolver iniciativas para terceira idade na região do entorno da universidade. De acordo com Luiz Roberto Ramos, diretor do Centro de Estudos do Envelhecimento da Escola Paulista de Medicina e coordenador do Departamento de Medicina Preventiva da universidade, o programa – que utilizou recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) – virou modelo e vem sendo implantado em outros bairros de São Paulo.

Na Argentina, um programa do Centro Internacional de Longevidade estimula idosos a participar de cursos técnicos. Paralelamente, explicou a presidente do Centro Lia Daichman, alunos das escolas técnicas são orientados a desenvolverem projetos que irão ajudar os idosos no dia a dia, especialmente na área de mobilidade.

O último dia do Fórum teve também relatos de experiências inovadoras da Europa, contadas pelo enviado pela Rainha Sílvia. Ludvig Mörnesten, da Swedish Care International, falou sobre uma microcidade criada na Holanda especialmente para pessoas com demências. A iniciativa, que já está sendo copiada nos Estados Unidos, transformou-se num ambiente protegido para os idosos que sofrem de demência, propiciando inclusive maior autonomia aos pacientes. Outra iniciativa original citada por ele é da Alemanha. Em Dusseldorf, foi criado, em frente a uma instituição para pessoas com demência, um ponto de ônibus fictício, com uma função bastante peculiar. Os pacientes, comumente, têm momentos de estresse quando querem, a qualquer custo, ir embora do local. Assim, eles são levados ao ponto de ônibus (que é igual a qualquer ponto normal), onde o transporte nunca chega. Após algum tempo, um funcionário da instituição vai ao ponto fictício, conversa com o paciente e o convida a tomar um café, já que o ônibus não aparece. O artifício serve para acalmar o paciente de forma mais amena.

Jayant Umranikar, coordenador do ILC da Índia, contou por sua vez a experiência de sucesso da “Helpline”, uma iniciativa em conjunto com a Polícia local, que usa o trabalho de voluntários para manter uma linha telefônica específica, 24 horas por dia, 7 dias por semana, para idosos recorrerem em casos de abusos e violências.

O Fórum foi encerrado pela psicóloga brasileira Lígia Py, que ressaltou que o conceito de longevidade é uma das conquistas da humanidade, juntamente com o aumento da expectativa de vida, e que ele nos mostra que somos interdependentes: as pessoas precisam umas das outras, apesar de a tecnologia estimular o isolamento. Ela defendeu a necessidade de se despertar o cuidado da amizade, de olhar outras pessoas, já no início da formação dos jovens. “Nascemos com a marca da dependência. Desde o nascimento, os seres humanos precisaram se agrupar, senão as forças da natureza teriam exterminado a raça humana”, contou.

O III Fórum Internacional de Longevidade, patrocinado pelo Grupo Bradesco Seguros e realizado na sede da empresa, no Rio de Janeiro, reuniu mais de 250 especialistas do Brasil e do mundo sob o tema “Iniciativas Amigas do Idoso”.

Fonte: CQCS