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Gazeta Mercantil

Iniciativa da FAPESP confirma pioneirismo (1 notícias)

Publicado em 19 de março de 2002

Pioneira em iniciativas ligadas ao setor de internet no Brasil, além dos inúmeros campos da pesquisa científica, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo FAPESP, também foi a primeira instituição a oferecer Ponto de Troca de Tráfego (PTT) no País. Desde 1998, a ANSP (Academic Network at São Paulo) já apostava em novas tecnologias para melhorar a qualidade de acesso à internet. Foi nesta época que começou a ser implementado um PTT conectando provedores e operadoras de telecomunicações. Nesta altura, os especialistas da Fundação já haviam detectado a necessidade de prover tanto as empresas como as redes universitárias e centros de pesquisa de Mipervias de informação, capazes de transportar grandes quantidades de dados, em alta velocidade. Hoje, 26 empresas de grande porte - entre elas Telefônica, Terra, UOL, Telemar, Brasil Telecom, lntelig, NTT do Brasil, Metrored, CTBC, Diveo e iG - além de universidades e institutos de pesquisa já fazem uso destes pontos de interconexão. "A neutralidade e a privacidade são fundamentais neste processo, para garantir a imparcialidade total no tráfego e distribuição das informações", explica José Fernando Perez. diretor científico da FAPESP. Para explicar como isto funciona. Perez utiliza o exemplo de uma corrente de tráfego nas vias de uma cidade sujeita a congestionamento, "É como um balão de trânsito. O PTT roteia o tráfego de uma via para outra, organizando o fluxo." No ambiente neutro, evita-se que o tráfego de um cliente tenha privilégio sobre o outro - que pode ser um concorrente. A preocupação principal da FAPESP com este projeto, segundo Perez, foi a criação deste meio seguro para o tráfego na rede. "O objetivo, desde o princípio, era criar melhores condições para a comunidade científica e as empresas trocarem suas informações." No início deste ano, a iniciativa trouxe nova vantagem para a Fundação. Foi assinado um termo de cooperação técnica que transfere para a Terremark Latin America Ltda. A tarefa de operar, manter e comercializar o PTT da ANSP. O acordo permite à Fundação se beneficiar dos investimentos que a empresa norte-americana fará na expansão do projeto. E mais: representa um reforço no orçamento da FAPESP, que terá participação na receita proveniente do uso do PTT pelas empresas privadas. "Trata-se de uma parceria de importância estratégica para o sistema de pesquisa do Estado, seja pela qualidade dos serviços oferecidos ou pelo abatimento nos custos dos investimentos bancados pela Fundação." O termo de cooperação, assinado no dia 28 de fevereiro, com validade de 20 anos, prevê que a FAPESP terá participação de 6% nas receitas decorrentes dos serviços prestados durante cinco anos, 5% nos próximos cinco anos e 1% nos restantes dez anos. José Fernando Perez lembra que esta não é a primeira vez que a FAPESP sai na frente em iniciativas ligadas à internet. A Fundação é responsável pelo registro de domínios na internet no País, inclusive para particulares, e recebeu da National Science Foundation, dos EUA, a tarefa de organizar o projeto da internet 2, a rede privada de alta velocidade destinada a universidades e instituições voltadas para pesquisa científicas. A evolução do projeto garantirá à FAPESP pontos de conexão no NAP das Américas, que abriga a Ampat (American Path), rede virtual mantida pela Florida International University. A Ampath é uma porta de acesso para a internet 2, mantida por um consórcio, denominado Ucaid - University Consorcium for Advanced Internet Development, que reúne 180 universidades e 45 empresas norte-americanas. O primeiro link para a Ampath foi aberto pela Rede Nacional de Pesquisa (RNP), mantida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. As universidades e institutos paulistas estão credenciados, desde o início de 2001, para acessar a internet 2. Por enquanto, o PTT da FAPESP só garante as interconexões nacionais, mas dentro do seis meses devem ser oferecido os links internacionais.