Notícia

Jornal da Unicamp

Iniciação científica

Publicado em 01 outubro 1999

Um aquecedor solar para casas populares, uma solução bucal à base de alho capaz de prevenir cáries, pesquisas que ajudam mães a cuidar de bebês com refluxo gastroesofágico ou advertem para dificuldades enfrentadas por deficientes físicos em escolas são exemplos da fértil produção científica entre os alunos de graduação da Unicamp. A porta de entrada para o fascinante universo da pesquisa é a iniciação científica, precioso instrumento para a formação dos estudantes da Universidade. Ao estimular o espírito investigativo e proporcionar uma sólida base científica a seus alunos, a Unicamp mantém viva a vocação de celeiro de pesquisas que a tornou respeitada ao longo de mais de três décadas de existência. Realimenta também o notável manancial de pesquisas que desenvolve (estimada em 15% de toda a pesquisa universitária brasileira) muitas freqüentemente convertidas em benefício social. "A iniciação científica é uma das atividades mais nobres mantidas pela Unicamp e a valorização que a instituição dá a esse instrumento pode ser aferida pela destinação, ao pagamento de bolsistas de iniciação científica, de uma expressiva fatia de seus recursos orçamentários alocados aos programas de apoio", ressalta o pró-reitor de pesquisa, Ivan Chambouleyron. Ele revela que em 1998 foram 200 bolsas de pesquisa administradas pelo Serviço de Apoio ao Estudante (SAE) e selecionadas pela Pró-Reitoria de Pesquisa, num valor total de quase RS 572 mil. Além desse programa, a Unicamp contou também com o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), implementado com recursos do CNPq, através da Pró-Reitoria de Pesquisa, com 245 bolsas de iniciação científica no mesmo ano. "Finalmente, tivemos as bolsas de iniciação científica obtidas graças à iniciativa dos nossos docentes, através de projetos aprovados na Fapesp e CNPq." A produção apoiada pelos diferentes programas de iniciação científica é mostrada pela Unicamp há sete anos no Congresso de Iniciação Científica da Unicamp. Obrigatória para os bolsistas do PIBIC/CNPq e facultativa para os demais, a apresentação dos trabalhos no congresso deste ano reuniu 441 projetos nas áreas de artes, ciências humanas, exatas, biomédicas e tecnológicas, expostos ao público no Ginásio Multidisciplinar, de 20 a 24 de setembro. Trabalhos — O projeto da quartanista de Pedagogia, Nilza Maria de Resende, nasceu de experiências acumuladas em seu dia-a-dia. Paraplégica, ela precisa se locomover em cadeira de rodas e desde criança vivencia dificuldades para freqüentar escolas não preparadas para alunos deficientes físicos. Nilza mapeou em escolas públicas uma série de barreiras que dificultam e até desestimulam portadores de deficiência física a freqüentar salas de aula. "Não são apenas barreiras arquitetônicas. O mobiliário das escolas também não é adequado para o aluno deficiente", constatou Nilza, que em seu trabalho sugere adaptações para atender necessidades do deficiente físico, conforme legislação e normas técnicas arquitetônicas específicas em vigor. Outro trabalho, da terceiranista da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Priscila Miucci Ferraresi, permitiu comprovar mais uma propriedade medicinal do alho, freqüentemente empregado para prevenir gripes e resfriados. Ela obteve em laboratório uma solução a base de alho roxo e branco que se mostrou eficaz no combate de microorganismos responsáveis pela cárie dentária. A solução, fácil de ser preparada (basta descascar 100 gramas de alho e bater no liquidificador por dez minutos com 100 mililitros de água) pode ser usada em bochechos diários. O único inconveniente, reconhece a estudante, ainda é o forte sabor do alho, problema que tentará minimizar em uma próxima etapa da pesquisa. "O desafio é encontrar uma forma de mascarar o sabor sem comprometer o princípio ativo da matéria-prima", pondera Priscila. Em outro projeto exibido no 7º Congresso de Iniciação Científica da Unicamp, a estudante Juliana Fonseca da Silva, da Faculdade de Ciências Médicas, debruçou-se sobre o refluxo gastroesofágico. Doença caracterizada pelo retorno passivo do conteúdo gástrico para o esôfago, decorrente de um defeito ou má formação na barreira antifluxo existente entre o esôfago e o estômago, a doença se manifesta precocemente nos lactentes por meio de vômitos intensos que podem causar pneumonias, entre outras complicações. "O problema ocorre em 50% dos recém-nascidos. Porém muitas mães não conseguem identificá-lo por confundi-lo com regurgitação e porque há casos em que o bebê tem a doença mas não manifesta o refluxo", esclarece Juliana. A partir de entrevistas com pacientes do Ambulatório de Pediatria do Hospital de Clínicas (HC) ela elaborou um plano de assistência para orientar mães e babás a identificar primeiros sinais e sintomas, e a buscar auxílio médico. (P.C.N.)