Notícia

Jornal de Jundiaí online

Iniciação científica é vista como uma forma de estudar

Publicado em 20 agosto 2011

O sistema de ensino baseado apenas em livros não atende às necessidades do ritmo atual de ensino, pelo menos da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ). A inserção no currículo de projetos de iniciação científica, há sete anos, ampliou o conhecimento dos estudantes e os resultados já estão sendo sentidos. Na manhã de ontem foram apresentados 27 trabalhos, alguns deles com financiamentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e também do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A pesquisa científica aliada ao estudo, segundo o coordenador de projetos da FMJ, César Alexandre Fabrega Carvalho, é o sistema mais utilizado nos Estados Unidos.

"Aqui temos entre 30% a 40% dos estudantes envolvidos em projetos. Lá a porcentagem chega a 98%", comenta. A oportunidade de aprender com a ciência, segundo o coordenador, é diferente do que aprender com os livros. "Os livros estão com cerca de 10 anos de desatualização. Com a pesquisa científica o aluno tem a oportunidade de fazer uma revisão bibliográfica e reciclagem do seu aprendizado. É a forma moderna de se aprender", completa. O coordenador ressalta que a qualidade dos trabalhos evoluiu com o passar dos anos e a prova disso é o financiamento pela Fapesp. As bolsas podem chegar a até R$ 480 por mês, durante um ano.

Pesquisa - A adesão ao sistema tem aumentado desde a sua inclusão na grade. No ano 2004/2005, a faculdade deu o primeiro passo e conseguiu que o CNPq incentivasse, por meio de bolsas, dez projetos de iniciação científica. Outros cinco projetos foram patrocinados pela própria faculdade.

Em 2005/2006, 20 projetos foram aprovados pelo CNPq e cinco outros foram patrocinados pela faculdade para participar do Pibic (Programa de Incentivo a Bolsa da Iniciação Científica). Esse aumento de 10 para 20 projetos foi resultado de uma avaliação positiva feita pelo CNPq dos trabalhos apresentados em julho de 2005. Neste ano são 23 bolsas pelo CNPq.

Os trabalhos se dividem nas linhas básicas, com base experimental, e a linha clínica, que é realizada em hospitais e clínicas de atendimento. A estudante Mariana Mazeu Barbosa de Oliveira está no quarto ano de Medicina e pela segunda vez participa de um projeto de iniciação científica. No primeiro, fez um trabalho sobre diabetes. Desta vez optou pelo tema "Efeito do tabagismo passivo e crônico no lóbulo ventral da próstata de ratos".

"Ficou comprovado que existem alterações morfológicas e isso sugere a alteração funcional", comenta. Segundo a estudante, a participação em pesquisas científicas melhora a qualidade do aprendizado e amplia o currículo daqueles que pretendem seguir para o mestrado.

LUCIANA MÜLLER