Notícia

Gazeta Mercantil

Ingleses pesquisam caju para Embrapa

Publicado em 12 maio 1997

Por Gonçalo Júnior - de Salvador
Uma parceria que envolve três universidades nordestinas e a Estação Experimental de Long Ashton, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, é a nova alternativa que o Centro Nacional de Pesquisa de Agroindústria Tropical da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ceará, inicia no próximo mês para combater as doenças e as pragas dos cajueiros. Entre as metas definidas estão a diminuição das perdas e, principalmente, o aumento da vida útil do pedúnculo (polpa) do caju, passando das atuais 48 horas para 10 dias de resistência em condições refrigeradas. Participam do projeto as universidades federais do Ceará e de Alagoas e a Rural de Pernambuco. O convênio já foi aprovado na primeira etapa pelo British Council (Conselho Britânico), órgão responsável pelo financiamento de pesquisas. Segundo o fitopatologista José Emilson Cardoso, que coordena a parceria, a receptividade quase imediata - a apresentação e a aprovação ocorreram em março - do projeto aconteceu porque o conselho tem priorizado apoio a estudos na área de produção, principalmente em países de economia emergente. O convênio permitirá a troca de tecnologias e pesquisas em conjunto entre cientistas brasileiros e ingleses. Além de trazer tecnologia, o acordo prevê para o futuro a especialização de brasileiros em cursos de pós-graduação em Bristol. Os trabalhos de pesquisa na Inglaterra serão orientados pelo professor Jonh Luck, um dos diretores da Estação de Long Ashton. Em junho, uma técnica do centro virá ao Brasil para iniciar o trabalho de campo. No mês seguinte, o técnico brasileiro Cardoso visitará Bristol. As pesquisas integradas, observou o cientista cearense, serão concentradas na busca de clones resistentes ao fungo da antracnase - que já afeta 30% das plantas - e do mofo preto, além das possibilidades de melhoria genética, como no caso do cajueiro-anão precoce. Além da quantidade, os dois fungos reduzem também a qualidade da amêndoa. As pesquisas laboratoriais entre a estação britânica e os pesquisadores brasileiros estão previstas para o primeiro semestre do próximo ano. O controle de pragas e doenças será buscado através do uso alternativo de substâncias não-tóxicas. Para Cardoso, o interesse dos ingleses na castanha de caju se deve à sua especialidade estratégica. Primeiro, pelo fato de a Grã-Bretanha ser um dos principais importadores europeus do produto; depois, por ser a castanha uma nova fonte de gordura que não interfere na taxa de colesterol de baixa densidade. João Pratagil, chefe geral da Embrapa Ceará destacou as possibilidades de dinamização da venda sobretudo do pedúnculo. O caju é produzido em 26 países, ocupando uma área de cultivo de 1,7 milhão de hectares. No Brasil, a ociosidade produtiva chega a 40%. A safra de 1996 atingiu 718 mil toneladas. Os maiores produtores são Índia, Brasil, Moçambique, Vietnã e Guiné Bissal, responsáveis por 60% de toda a safra. Outros países cuja produção é considerada emergente são Indonésia, Tailândia e Austrália.