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Diário do Povo

Informática vai ajudar cidades a aproveitarem lixo na agricultura

Publicado em 08 maio 2003

Por FÁBIO GALLACCI - Agência Anhangúera
Reaproveitar toneladas de lixo geradas diariamente, ampliar em até 50% a vida útil de aterros sanitários e ainda promover o aumento de produtividade na agricultura com baixos custos e muita tecnologia. Uma iniciativa inédita na América Latina, resultado de oito anos de estudos da equipe de Informática da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) possibilitou a criação de um software que avalia a qualidade dos compostos de lixo orgânico, orienta a sua melhor utilização como adubo e ainda recomenda de forma exata os tipos de culturas mais adequados para o depósito deste tipo de material que, geralmente, costuma ser dispensado sem qualquer controle. Testes realizados em laboratórios mostraram que, aplicado da forma correta e no local adequado, o que antes era lixo se transformou em um fertilizante que possibilita um aumento de 15% na produção de cana-de-açúcar, por exemplo. Piracicaba e São José dos Campos já mostram interesse em adotar a idéia que custou R$ 250 mil em investimentos — financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e empresas privadas. Campinas ainda não se manifestou. A novidade foi idealizada para atuar ao lado de usinas de compostagem de lixo, situação que não existe atualmente em Campinas. O programa desenvolvido é um Sistema Especialista (ES) que utiliza um completo banco de dados com uma série de informações técnicas sobre o assunto, guardadas com o passar dos anos e das centenas de pesquisas documentadas, que podem, finalmente, ser comparadas com a realidade de cada cidade. Os municípios identificam os tipos de compostos de lixo que produzem e os comparam com os estudos armazenados no software. O resultado disso é o conhecimento da qualidade do composto obtido, a sua capacidade de enriquecimento de determinado tipo de solo e a cultura em que ele poderia render com mais eficácia. "O que existe atualmente é a utilização do material cru, que pode acabar gerando malefícios à saúde da população. O software servirá para garantir resultados positivos aos agricultores, garantir o bem-estar ambiental e evitar o acúmulo desnecessário de resíduos nos aterros, que são responsáveis pela destruição de áreas que poderiam ser produtivas para as cidades. Os aterros ocupam espaço e não devolvem nada", afirma o pesquisador Fábio César da Silva, da Embrapa.