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ABC - Academia Brasileira de Ciências

Informação indispensável (1 notícias)

Publicado em 25 de maio de 2007

Informações que não são suportadas por indicadores podem não passar de meras opiniões de seus autores. A afirmação contundente foi feita por Leonardo Uller, secretário adjunto do Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (Cyted) e destaca a importância das discussões que tomam lugar no 7º Congresso Ibero-Americano de Indicadores de Ciência e Tecnologia, que ocorreu entre em 23 e 25/5, em São Paulo, com o tema "Novos indicadores para novas demandas de informação". O objetivo do encontro é contribuir para a melhor formulação de políticas de CT&I nos países ibero-americanos.
Durante a sessão inaugural, o argentino Mario Albornoz, coordenador da Rede Ibero-Americana de Indicadores de Ciência e Tecnologia (Ricyt), fez um balanço dos 12 anos da rede, criada em abril de 1995 para otimizar o diagnóstico e a avaliação dos esforços em CT&I na região.
Albornoz explicou que os trabalhos da Ricyt se baseiam em quatro linhas principais: produção e difusão de informações; acordos metodológicos e o compartilhamento de experiências em coleta de dados; consolidação de capacidades e treinamento dos responsáveis pela elaboração de indicadores; e o desenvolvimento de indicadores que impulsionem redes temáticas que integram a Ricyt — como sobre percepção pública da ciência ou sobre impactos sociais da ciência e tecnologia.
"Os participantes desse congresso ajudarão a definir a agenda de atuação da Ricyt para os próximos anos, de modo a fortalecer a capacidade de oferecer respostas às necessidades de informação nessas quatro linhas de trabalho", afirmou Albornoz.
Ao lado da contribuição das universidades, dos centros de pesquisa e das agências de fomento da América Latina e Caribe para a produção das estatísticas e da classificação dos indicadores sobre a região, Albornoz destacou a importância de parceiros internacionais, como a Unesco e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), no fornecimento de dados que embasam os indicadores.
O Acadêmico Rogério Meneghini, coordenador científico da Scientific Eletronic Library On-line (SciELO), ressaltou que a publicação eletrônica de periódicos científicos é fundamental para a criação de indicadores de C,T&I nos países em desenvolvimento, além de contribuir para a excelência das comunicações no setor. "Ciência é a ciência publicada. Hoje, temos 2,5 mil revistas de acesso aberto na internet nos mais diferentes sistemas e bases de dados do mundo. Esse tipo de divulgação gratuita permite que os pesquisadores tenham visibilidade e acessibilidade universal, de modo que o aumento da citação de seus trabalhos indexados contribui para a geração de novos indicadores", disse.
A elaboração de indicadores de produção científica que permitam comparar rankings de universidades e instituições de pesquisa na América Latina e a cooperação entre cientistas de países da região por meio da co-autoria de artigos científicos também são assuntos em destaque no congresso.
Para representantes dos organizadores do evento, Fapesp e Ricyt, o debate sobre a formulação e a produção de indicadores pode subsidiar políticas públicas de gestão e de novos investimentos em CT&I. "É uma felicidade grande essa conferência estar sendo aberta no dia em que a Fapesp completa 45 anos de existência. Um dos resultados dessa longa atuação, no contexto desse congresso, é a publicação dos Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação no Estado de São Paulo , que também apresenta referências do sistema de ciência e tecnologia brasileiro e da América Latina", disse Carlos Vogt, presidente da Fapesp.
Publicado a cada três anos pela Fundação, o livro Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo está dividido em três tipos de dados principais: os de insumo (dispêndios públicos e privados em P&D, recursos humanos e panorama do ensino superior); de produto (produção científica e tecnológica, comércio de produtos de alta tecnologia e empresas inovadoras); e indicadores de impacto (socioeconômicos e culturais da CT&I na saúde, na tecnologia da informação e na percepção pública da ciência).
"Sem a produção sistemática e a análise de bons indicadores, teríamos dificuldades em saber onde estão e em que sentido os avanços do conhecimento caminham", disse Sérgio Queirós, coordenador do Setor de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo e professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp.

(Fonte: Agência Fapesp, 24/5)