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Indústria teme ação de hackers em carros autônomos

Publicado em 26 janeiro 2017

Por Joel Leite

Especialistas em tecnologia automotiva têm expressado temor de ação de hackers no funcionamento de carros autônomos, tecnologia que já está ganhando as ruas em vários países. Assim, o desenvolvimento de carros autônomos implica na criação de softwares de gestão mais eficientes.

“Um hacker poderia tomar o controle remoto de um carro autônomo e desviar a trajetória inicialmente traçada pelo usuário” disse um professor Universidade de Columbia, nos Estados Unidos ouvido pela agência Flash de Motor.

“O táxi do futuro – continuou –não terá motorista e poderia ocorrer que alguém modificasse o seu itinerário durante a corrida sem que o passageiro pudesse interferir no controle do carro”.

Porta-vozes do Google acreditam que um dos problemas do carro autônomo é a necessidade de desenvolver sistemas operativos blindados contra hackers, vírus e assistência remota inesperada, incorreta ou não desejada.

Especialistas dizem que um vírus que altere o comportamento de um carro em movimento seria desastroso, ao contrário de um vírus que invade, por exemplo, um sistema financeiro, onde os estragos podem ser corrigidos.

Segundo Frank Allgöwer, diretor do Instituto de Teoria de Sistemas e Controle Automático da Universidade de Stuttgart, na Alemanha, a humanidade está construindo sistemas dinâmicos cada vez mais complexos, que trabalham em rede com alto grau de automação e de autonomia, como veículos autônomos, fábricas e cidades inteligentes e nesse grande mundo interconectado, os humanos tendem a se tornar meros usuários de sistemas dinâmicos complexos e não mais a força que os controla.

Ao discursar em palestra na sede da Fapesp, em São Paulo, em dezembro último, o professor Frank Allgöwer disse que somente com investimento em pesquisa básica – particularmente na área de engenharia cibernética – será possível desenvolver mecanismos de controle para garantir que tudo funcione de maneira adequada.

“Ainda não entendemos muito bem como esses sistemas funcionam, como interagem e se organizam, mas ainda assim os estamos construindo. Embora pense que os efeitos positivos devem superar os negativos, fico hesitante em dizer que devemos acelerar nosso desenvolvimento tecnológico. Creio que este seria o momento de fazer a pesquisa básica alcançar as inovações tecnológicas que estão surgindo para que possamos realmente entender o que está acontecendo”, disse.

Em setembro do ano passado o carro autônomo da Google foi envolvido num acidente por culpa de um terceiro. Já houve choques leves com carros autônomos da Uber nos Estados Unidos, mas o acidente mais grave ocorreu com um Tesla que matou o usuário. Em nenhum desses casos, no entanto, houve interferência de hackers nos sistemas eletrônicos dos veículos.

Uma alternativa para a gestão do funcionamento dos carros autônomos seria a criação de um sistema operativo que confirmasse as funções em caso de um desvio do caminho traçado.

Um carro autônomo da Tesla detectou recentemente em seu sistema operativo um risco que gerou um acidente e seu sistema operativo não estava configurado para evitar. O sistema informou que o carro “sabia” que ia bater, mas não estava configurado para descumprir a ordem recebida inicialmente de seguir naquela direção.


Fonte: Blog: O mundo em Movimento