Notícia

Correio Popular (Campinas, SP)

Indústria convencional dá lugar às tecnológicas em SP

Publicado em 09 fevereiro 2009

Grandes centros reúnem poderes econômico, político, financeiro e mão-de-obra qualificada

 

A concentração de indústrias intensivas em tecnologia em São Paulo tende a aumentar, avalia o economista Aurilio Caiado, por causa do "encadeamento dinâmico", um círculo virtuoso que envolve o ambiente de negócios, se realimenta e se reproduz naturalmente. Para ele, ciência e negócios convivem. "São Paulo faz 55% da ciência produzida no Brasil. Fazia há dez anos e continua fazendo agora", comenta Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor da Fapesp.

Caiado afirma que esse processo faz com que São Paulo tenha atrativos para empresas que dependem de constante renovação tecnológica. Elas tendem a se concentrar perto dos centros de pesquisa. E pouco provável que isso mude nos próximos anos. "A descentralização de atividades nobres é muito difícil. Os grandes centros continuam atraindo essas atividades porque neles se concentra o poder econômico, político e financeiro e também a mão-de-obra mais qualificada", diz o professor André Furtado, da Unicamp.

São Paulo experimenta a mesma tendência que atinge outras cidades globais: atraem empresas intensivas em tecnologia e capital e perdem indústrias convencionais — como as têxteis, metalúrgicas e de alimentos —, que saem em busca de terrenos menos valorizados e mão-de-obra mais barata. Cruz acha que os ganhos compensam as perdas: "São Paulo tem mantido mais ou menos o mesmo PIB nos últimos anos, o que mostra que as perdas têm sido compensadas. E os números da Perb nos reservam um futuro magnífico", diz Caiado.

O economista lembra que a política industrial do governo paulista, em fase final de elaboração, vai criar riais estímulos a pesquisa e desenvolvimento, incorporando programas novos ao que já existe, como os parques tecnológicos e a Agência de Desenvolvimento do Estado. Além disso, São Paulo ainda conta com a formação de quadros por três universidades estaduais, as incubadoras de empresas da USP e da Unicamp, o incentivo o dos financiamentos da Fapesp e o papel inovador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que atua junto a empresas. (Da Agência Estado),