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Índios de Aracruz são descendentes diretos dos primeiros Tupiniquins

Publicado em 30 janeiro 2020

Por Matheus Souza | Jornal da USP

A constatação está presente no artigo "Conhecimento genômico das origens e dispersão dos nativos costeiros brasileiros"

Um genocídio, iniciado por volta de 1549, exterminou quase todos os grupos indígenas tupis que povoavam o litoral brasileiro, provocando o desaparecimento da linhagem tupiniquim, de língua tupi, que se deparou com Pedro Álvares Cabral em 1500, no descobrimento do Brasil. Agora, um estudo genético do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) permitiu traçar a trajetória dos tupiniquins através da coleta de amostras de sangue da população indígena atual.

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Em uma parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o estudo analisou o DNA de 47 tupiniquins do Espírito Santo com o de 55 indígenas de outras regiões do Brasil. Quem dá detalhes desse resultado é o biólogo geneticista Marcos Araújo Castro e Silva, doutorando do Programa de Genética e Biologia Evolutiva e primeiro autor do artigo "Conhecimento genômico das origens e dispersão dos nativos costeiros brasileiros".

A constatação feita foi: os índios tupiniquins de Aracruz, cidade do litoral Norte capixaba, têm a mesma linhagem genética do grupo que povoava o litoral brasileiro na época da chegada dos portugueses. Na comparação com os outros grupos étnicos analisados, os Tupiniquim de Aracruz não apresentam miscigenação com outras etnias indígenas, o que indica que são descendentes diretos dos primeiros Tupiniquim.