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Índice Brasileiro de Inovação seleciona Delphi, Silvetre Labs, Brasilatas e Santista Têxtil como as empresas mais inovadoras

Publicado em 28 maio 2007

Por Tatiana Fiuza para o Gestão C&T online

No último dia 24, foram apresentados, em São Paulo (SP), os resultados do Índice Brasileiro de Inovação (IBI), que incluem o ranking das empresas mais inovadoras. A iniciativa do IBI partiu de uma parceria entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Instituto Uniemp, instituição associada à ABIPTI, e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Durante a cerimônia de lançamento do índice, o presidente da Fapesp, Carlos Vogt, lembrou que o IBI representa a espinha dorsal da revista Inovação, criada pelas três instituições com a proposta de trazer o tema para as discussões no Brasil. A publicação é trimestral e, de acordo com Vogt, a idéia era que o IBI fosse um roteiro para a revista, na qual seria possível analisar o que vem sendo feito no país e no exterior na área de inovação.

Ranking
A metodologia utilizada pelo IBI dividiu as empresas em quatro grupos e criou para cada uma delas um ranking específico. Os grupos foram divididos seguindo o grau de intensidade tecnológica de cada indústria. Veja a seguir:
• Setores de alta tecnologia:
1. Delphi (automobilística)
2. Embraer (outros equipamentos de transporte)
3. Marcopolo (automobilística)

• Setores de média-alta intensidade tecnológica:
1. Silvestre Labs (química)
2. Vallée (química)
3. Natura (química)

• Setores de média-baixa intensidade tecnológica:
1. Brasilta S/A Embalagens Metálicas (produtos de metal)
2. Faber Castell (móveis e diversos)
3. Usiminas (metalurgia básica)

• Setores de baixa intensidade tecnológica:
1. Santista Têxtil (têxtil)
2. Grendene (calçados)
3. Rigesa (papel e celulose)

"Esse índice nos descobriu", disse Antonio Carlos Teixeira Álvares, da Brasilata durante a entrega da premiação. Segundo Álvares, a empresa possui 52 patentes depositadas no Brasil e no exterior, conta com 900 funcionários e um faturamento anual de R$ 360 milhões.
Já Rogério Segura, gerente da Santista Têxtil, disse que vai lutar para estar sempre no ranking. O gerente conta que a empresa faz um investimento de 0,5% a 0,6% de sua receita líquida em P&D, o que representa R$ 4,1 milhões por ano. A Santista Têxtil tem um faturamento anual de R$ 500 milhões de dólares.
Vladimir Barroso, gerente da difusão de P&D da Faber Castell, considerou importante a iniciativa do índice. "Não é fácil inovar com um material tão tradicional como o grafite. Mas somos os mais inovadores na produção de lápis", lembrou. Barroso agradeceu ao prêmio e ainda sugeriu aos pesquisadores do IBI para que seja criado um indicador sobre as ações da área ambiental. De acordo com o gerente, o meio ambiente é uma questão que deve ser levada em conta na capacidade inovadora das empresas.

Metodologia
Para participar do IBI, as empresas fizeram sua inscrição voluntária. Os dados foram recolhidos a partir do questionário respondido à Pesquisa Industrial Inovação Tecnológica (Pintec) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O período analisado da Pintec foi de 2001 a 2003. O questionário continha 196 questões.
Pela metodologia utilizada pelo IBI, a partir da Pintec, é possível mensurar as atividades de pesquisas e desenvolvimento (P&D) das empresas. Já a capacidade inovadora de cada uma delas foi obtida a partir da análise de dados do Sistema Nacional de Patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Na ocasião, o pesquisador Edmundo Inácio Júnior, da equipe do IBI, explicou que o índice pode também ser empregado internacionalmente, pois utiliza uma metodologia baseada no Manual de Oslo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para pesquisas sobre inovação.

Metas
Uma garantia dos organizadores do IBI é que o índice terá continuidade. As empresas que participaram do lançamento desse primeiro ranking já foram convidadas a participar da segunda edição. Para o pesquisador André Tosi Furtado, da equipe do IBI, a proposta para a próxima edição é atrair mais empresas para participar. "O custo para a empresa é quase nulo, pois aproveitamos os dados já preenchidos da Pintec", afirmou.
Além disso, Furtado lembrou que as informações sobre a capacidade inovadora das empresas são mantidas em sigilo. "A fórmula e as regras são públicas, mas não é possível verificar os subindicadores utilizados", explicou.
O pesquisador lembrou ainda que as empresas que aderiram ao índice não podem ser consideradas como as mais inovadoras do país, já que a participação de indústrias aconteceu de forma voluntária, ficando muitas delas fora da análise. O IBI avaliou menos de 60 empresas brasileiras. O número exato de empresas participantes não foi divulgado. De acordo com Furtado, o número ideal seria, no mínimo, cem empresas.
As metas para uma segunda edição vão além de ampliar o número de empresas. Os pesquisadores esperam ainda criar uma forma de análise em que seja possível diferenciar o porte das empresas. Furtado explica que há também uma proposta de se criar um IBI próprio para as micro e pequenas empresas. Uma outra proposta é a inclusão da área de serviços na análise e não só da indústria de transformação, como nesta primeira edição do IBI. O pesquisador disse que a Pintec, em sua edição de 2005, já incluiu o setor de serviços na avaliação. Os resultados da Pintec 2005 devem ser divulgados no próximo mês de julho.
Informações complementares sobre o IBI podem ser conferidas neste link.