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Biblioteca FMUSP

Indicadores da gravidade da febre amarela

Publicado em 26 agosto 2019

Por Carlos Fioravanti

Médicos identificam indicadores da gravidade da doença, detalham seu impacto no organismo, aprimoram as formas de tratamento e reduzem a mortalidade de 67% para 5%

Médicos apresentam o que aprenderam com a epidemia mais recente de febre amarela silvestre no estado de São Paulo em cinco artigos científicos publicados em maio e dois em julho. Três deles tratam de indicadores da gravidade da febre amarela. A partir deles, as equipes médicas podem fazer a triagem dos pacientes com mais precisão, encaminhando os que merecem mais atenção para internação e para as unidades de terapia intensiva (UTIs).

Os danos do vírus no organismo, antes conhecidos apenas por meio do exame de macacos ou de poucos casos de pessoas que morreram por causa da doença, tornaram-se mais conhecidos e se mostraram mais amplos do que se imaginava. Além de causar lesões no fígado, no baço, nos gânglios linfáticos e nos rins, como já havia sido descrito por equipes dos institutos Evandro Chagas (IEC), de Belém, e Adolfo Lutz, de São Paulo, a infecção viral, como agora ficou claro, permite a ação de bactérias e a liberação de toxinas que causam danos aos pulmões, ao intestino e ao pâncreas. “O vírus da febre amarela induz sepse [infecção generalizada]”, afirma o patologista Amaro Nunes Duarte Neto, médico assistente da USP, com base em autópsias de 78 pessoas que morreram em consequência da doença.

As conclusões desses trabalhos serviram para aprimorar as formas de tratamento, que antes consistiam apenas em medidas para aliviar os sintomas, com reposição de água e sangue. As descobertas ajudaram a reduzir a mortalidade: de janeiro a junho deste ano, das 39 pessoas com a doença atendidas no HC, apenas duas morreram, o que representa uma taxa de letalidade de 5%. No ano passado, a letalidade foi de 27,6% no IIER, que atendeu os casos menos graves, e de 67% no HC, com os casos mais graves.

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Fonte: Revista FAPESP