Os cigarros eletrônicos podem causar sérios danos à saúde, apesar de não conterem substâncias ilícitas.
A concentração de nicotina nesses dispositivos é, muitas vezes, várias vezes superior à dos cigarros convencionais, favorecendo o desenvolvimento rápido da dependência. Além disso, esses produtos são proibidos no Brasil, abrangendo a fabricação, importação, comercialização e propaganda, de acordo com a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que resulta na ausência de controle de qualidade.
Alguns líquidos utilizados em cigarros eletrônicos podem ter até 100 vezes mais nicotina do que um cigarro comum, cujo limite legal é de 1 micrograma por unidade. Além disso, aditivos como o acetato de vitamina E foram associados a lesões pulmonares graves e mortes nos Estados Unidos
O uso clandestino de canabinoides sintéticos nesses dispositivos apresenta um risco adicional. Esses compostos, criados para imitar o tetrahidrocanabinol (THC), são significativamente mais potentes e podem causar efeitos neurotóxicos, incluindo convulsões e surtos psicóticos.
Para enfrentar esse crescente problema, pesquisadores brasileiros , em colaboração internacional, desenvolveram um sensor portátil capaz de detectar canabinoides sintéticos em líquidos de cigarros eletrônicos e fluidos biológicos, como saliva. O estudo foi publicado na revista Talanta.
O método eletroquímico desenvolvido identifica diferentes moléculas de canabinoides com alta seletividade e sensibilidade. O dispositivo apresenta um design simples, utilizando um eletrodo de diamante dopado com boro, que se conecta a um potenciostato portátil. Isso permite a análise rápida e acessível de amostras.
O sensor pode servir como uma ferramenta eficaz para triagem pela polícia científica e também tem potencialidades em saúde pública, particularmente no atendimento a usuários em situações de overdose. O grupo de pesquisadores mantém parceria com o Projeto BACO , que visa a análise de substâncias psicoativas em festas, auxiliando na prevenção de intoxicações.
Com a constante evolução dos canabinoides sintéticos, é imprescindível desenvolver tecnologias que possibilitem a identificação precisa destas substâncias. O objetivo é garantir que usuários possam tomar decisões informadas sobre o que estão consumindo, reduzindo os riscos associados ao uso de drogas . Nesse contexto, o novo sensor portátil surge como uma inovação significativa, contribuindo para a saúde pública e segurança dos cidadãos em frente a um cenário de uso de drogas cada vez mais complexo.
Para mais detalhes, o artigo completo pode ser acessado em: A novel electrochemical method for detecting synthetic cannabinoids
Informações da Agência FAPESP