Acordo foi costurado por base de Nunes (MDB) com oposição e instituto; corte de árvores cai de 6,6 mil para 1,6 mil
Um acordo costurado pela base do governo Ricardo Nunes (MDB), partidos de oposição e o Instituto Butantan permitiu a aprovação na quarta-feira (20), na Câmara de SP, do PL 691/2025, que altera o Piu (Plano de Intervenção Urbana) Arco Pinheiros para permitir a ampliação do parque fabril do Instituto Butantan, com menos impacto ambiental do que a proposta original.
No substitutivo apresentado pela situação, apenas onde a entidade já tem fábricas de vacinas passa a ser uma zona industrial. Também foi alterado o gabarito para permitir a verticalização desta área. Com isso, o parque fabril não avança sobre as áreas de vegetação do terreno. Assim, o número de árvores que poderão ser retiradas passou de 6,6 mil para 1,6 mil. O novo texto ainda prevê o plantio de 9 mil árvores nativas em sua área e entorno.
Com a aprovação, o Instituto Butantan poderá construir novas fábricas e ampliar as existentes. Segundo a entidade, estão nos planos vacinas como DTPa (Difteria, Tétano e Coqueluche) e Vírus Papiloma Humano, além do novo prédio para envase e liofilização de vacinas.
Será possível também cumprir metas de ampliação de produção de vacinas para atender as demandas do governo de São Paulo e do Ministério da Saúde. O Instituto Butantan teve aprovado financiamento de R$ 386 milhões junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Investimentos estatais no Instituto Butantan visam diminuir a dependência de insumos estrangeiros para a produção de vacinas. O país enfrentou problema de falta de vacinas no último ano. A entidade também será responsável pela primeira vacina 100% nacional contra a dengue.
Butantan e vereadores negociaram texto
O PL 691/2025 foi aprovado em primeira votação no mês de junho, antes do recesso parlamentar, sob forte pressão de vereadores e da sociedade civil, incluindo associações ambientais, pelo forte impacto. Desde então, foram realizadas audiências públicas e conversas para alterar o texto que garante a ampliação do parque fabril Instituto Butantan.
“Essa proposta beneficiará a todos. Por um lado, mantemos nosso compromisso de ampliar o acesso da população brasileira à saúde, com a produção de vacinas, soros e imunobiológicos que salvam vidas todos os dias por meio do SUS. Por outro, vamos preservar e recuperar a Mata Atlântica do Instituto Butantan”, declarou Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan, em texto encaminhado pela assessoria de imprensa.
Fábio Riva (MDB), líder do governo Ricardo Nunes, comentou o trabalho conjunto durante a comemoração da aprovação do projeto. Ele lembrou que muitos parlamentares da situação votaram favorável, mas porque esperavam ter espaço para alterar o texto.
“Conversamos com vários vereadores da base do governo, que votaram favoravelmente na primeira votação, mas que votaram com algumas restrições. Restrições essas confiando em um diálogo, inclusive com o Instituto Butantan, para que algumas alterações viessem a ocorrer antes da derradeira e última votação. E isso aconteceu. Levo o exemplo também aqui dos vereadores de oposição. Eles trouxeram também algumas preocupações e sugestões”, discursou na tribuna.
As bancadas do PT, PSB e Rede Sustentabilidade divulgaram nota conjunta em que defendem o trabalho da oposição para garantir que um substitutivo fosse apresentado, “que protegeu o bosque do Butantan, reduziu a área industrial ao setor já comprometido com galpões industriais, proibiu o parcelamento do solo e protegeu a vizinhança do ruído”, diz trecho do texto.
Mesmo com a diminuição do impacto ambiental, o projeto não passou com unanimidade. A bancada do Psol, com seis vereadores (Amanda Paschoal, Keit Lima, Silvia da Bancada Feminista, Luana Alves, Professor Toninho Vespoli e Celso Giannazi), votou não ao projeto. Janaína Paschoal (PP) se absteve. Na galeria houve manifestações de associações contrárias a proposta.