Projeções científicas indicam que o Brasil enfrentará 1,8 milhão de casos de dengue em 2026, o que deve consolidar o ano como o segundo com maior número de registros da doença no país.
O recorde foi em 2024, no segundo ano deste mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2025, já são 1,6 milhão casos confirmados e 1.706 mortes em decorrência da dengue, conforme dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde.
A projeção consta de um estudo internacional feito por 52 pesquisadores no , cuja meta é fornecer subsídios ao governo e demais instituições no combate à dengue.
O modelo preditivo foi consolidado sob a coordenação de Flávio Coelho, professor da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (EMAp/FGV). Segundo o levantamento, o Brasil supera a marca de um milhão de infecções pela quinta vez consecutiva em 2026. Nos últimos quatro anos, o país também registrou mais de mil mortes anuais, alcançando o recorde de 6,3 mil mortes em 2024.
A previsão para 2026 é de que a Região Sudeste concentre entre 65% e 70% dos novos casos. Para o Estado de São Paulo, entretanto, espera-se queda de 50% na incidência, enquanto no Tocantins a tendência é de que os índices dobrem. Em 13 estados e no Distrito Federal, os números podem ser piores que em 2025.
Prevenção e vacinação restrita contra a dengue
Com a aproximação de uma nova temporada de transmissão, o Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional de combate às arboviroses na última segunda-feira, 3. Foram destinados R$ 183,5 milhões para ampliar o uso de tecnologias como as Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDL) e o método Wolbachia, que utiliza bactérias para impedir o desenvolvimento dos vírus dengue, zika, chikungunya e febre amarela nos mosquitos.
O ministério planeja ampliar de 12 para 82 o número de cidades atendidas pelo método Wolbachia, sendo 13 delas ainda em 2025. Uma biofábrica inaugurada em julho, em Curitiba (PR), tem capacidade de produzir cem milhões de ovos de mosquito por semana. Segundo a pasta, em Niterói (RJ), onde a cobertura é total, houve redução de 88,8% dos casos de dengue.
Quanto à vacinação, o governo espera aprovar até o fim deste ano um novo imunizante em dose única desenvolvido pelo Instituto Butantan, com o objetivo de expandir a campanha nacional em 2026. Em parceria com a empresa chinesa WuXi Biologics, a produção pode atingir ao menos 40 milhões de vacinas a partir de 2026, e o Butantan já prevê cem milhões de doses nos próximos dois anos.
A Anvisa esclareceu que, desde o pedido de aprovação do novo imunizante em fevereiro, foram solicitados dados adicionais ao Butantan, que respondeu à última demanda em 14 de outubro. Segundo a agência, a documentação encontra-se em análise técnica para definição dos próximos passos no processo de registro.
Enquanto isso, a campanha de vacinação com a Qdenga, iniciada em 2024 e voltada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em 2.752 municípios de maior risco, segue limitada pela capacidade de produção do laboratório japonês Takeda. Até outubro, mais de 10,3 milhões de doses foram enviadas, com previsão de mais 9 milhões para o ano seguinte. O esquema vacinal requer duas aplicações para garantir proteção.