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Incubadora prepara software para planejamento urbano

Publicado em 28 julho 2006

Por Thatiane Faria

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) está financiando um projeto de membros da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho Unesp de Rio Claro (Incunesp).
A verba liberada soma pouco mais de R$ 500 mil para o desenvolvimento de um software com dados geográficos sobre uma área específica. A proposta é auxiliar no planejamento urbano e na gestão ambiental do público alvo: indústrias, empresas e prefeituras municipais.
Segundo o responsável pelo projeto, o geólogo Fábio Meaulo, há 42 pessoas envolvidas no trabalho que foi viabilizado pelo Programa de Inovação em Pequenas Empresas (Pite), no qual uma pessoa apresenta sua pesquisa para a FAPESP, que avalia e decide o recurso que será fornecido. O grupo começou os estudos em maio e tem 24 meses, no total, para finalizar o software. "A partir do ano que vem, o projeto já deve estar funcionando", afirmou Meaulo. Até agora, alguns municípios já mostraram interesse pela idéia em andamento. Atualmente o geólogo está realizando pesquisas de campo, em uma cidade do interior paulista, essencial para produzir as informações que serão fornecidas pelo software. "Faremos um mapa da região delimitada pelo cliente com dados como tipo de solo, rochas, locais onde há água subterrânea, tipo de aqüífero, entre outras diversidades", explicou o geólogo.
A intenção é auxiliar o comprador desse software a "tomar decisões de onde seria o melhor local para instalação de uma indústria, de um posto de abastecimento, onde despejar resíduos sólidos".
O software permite um estudo detalhado dos fatores geográficos e geológicos da área. Portanto, provavelmente também deverá ser adquirido por universidades para pesquisas, na opinião de Meaulo.
Para um município, esse software pode servir como base da elaboração de um Plano Diretor, um assunto que está sendo abordado intensamente nesse ano por todas as cidades do Estado de São Paulo. O plano, feito pela prefeitura, define itens como a lei de zoneamento e questões ambientais.
De acordo com o geólogo, "um dos maiores problemas dos gestores é conhecer profundamente o seu próprio território, para que possa tomar as decisões de planejamento urbano".
A idéia central do projeto é formar um sistema de informação geográfica (SIG), na qual não só a prefeitura mas também a população da cidade possam ter acesso, via Internet, dos dados do território disponibilizados pelo programa. Além da implementação do software, o grupo pretende dar um treinamento para que os usuários possam utilizar corretamente o produto.
Porém, Meaulo considera que o produto também pode ter uma utilidade para empresas e indústrias que querem se instalar em lugares desconhecidos. "Esses estabelecimentos precisam de licenças ambientais e, para isso, precisam saber sobre os detalhes da área onde devem ficar. Além disso, empresas que querem fazer uma certificação ambiental poderão conhecer os pontos de contaminação do local", disse.

Origem do projeto
A idéia de desenvolver concretamente o software surgiu ainda durante a avaliação do mestrado de Fábio Meaulo, aluno da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) de Rio Claro. Os próprios professores sugeriram que ele desse continuidade ao projeto, considerando que a FAPESP fomenta pesquisas principalmente relacionadas ao meio ambiente. Não só mestrandos, mas professores e empresários também podem apresentar seus estudos.
Após avaliado e aprovado, o projeto recebeu uma verba de R$ 50 mil para a conclusão da primeira fase. Porém, não é só a parte de estudo que deve ser apresentada. O geólogo teve de elaborar um plano de negócios, para convencer a fundação de que o produto seria de interesse de alguém e como seria vendido. No caso do software, cada prefeitura, empresa ou universidade comprará dados de uma área definida por eles.
O ambiente de desenvolvimento do software é a empresa Fortgeo. O programa está sendo elaborado dentro do conceito de plataforma livre para que os usuários não tenham de pagar uma mensalidade ou anuidade para manutenção.

Outros projetos
Até o dia 1º de setembro, pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior ou pesquisa, públicas ou privadas, do Estado de São Paulo, podem apresentar pré-projetos de pesquisa com aplicação na área de saúde animal.
A seleção pública é resultado de parceria entre o Grupo Ouro Fino, fábrica de produtos para a saúde animal, e o Programa Parceria para Inovação Tecnológica (Pite) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). As propostas devem ser aplicáveis ou ter potencial interesse na área farmacêutica/veterinária. A duração do projeto é de até 36 meses.
A exigência é que os trabalhos apresentados pertençam a áreas tecnológicas como as de produtos antimicrobianos , analgésicos e ou antiinflamatórios, biológicos (vacinas, soros, anticorpos) e inseticidas diversos.