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Incubadora empresarial: o fim da morte prematura

Publicado em 13 dezembro 2003

Quando se ouve a palavra incubadora, a primeira referência que nos vem à mente é a de um bebê que precisa de assistência hospitalar por alguns dias para chegar ao mundo mais forte, com chances de sobreviver. A chamada incubadora empresarial, iniciativa que chegou ao Brasil há cerca de 20 anos, trabalha basicamente com a mesma idéia. Trata-se de um subsidio infra-estrutural a pequenas e microempresas de diversos setores. "É um espaço físico onde a empresa se aloja para desenvolver seu produto", explica Gilson Carbinatto, coordenador do Programa de Incubadoras do Sebrae-SP. Além disso, a entidade incubadora oferece assessorias diversas, necessárias para o surgimento e desenvolvimento de embriões promissores. Incubadas, o índice de morte prematura dessas empresas cai de 70% para 20%. Além disso, gera-se emprego e renda e desenvolve-se a cultura empreendedora nas comunidades em que estão inseridas. As incubadoras também ajudam na interação entre empresários e instituições acadêmicas, já que muitas delas são mantidas por universidades. DEVERES E DIREITOS Geralmente uma empresa incubada permanece nessa condição de um a três anos. Nesse período, os empreendedores serão treinados e capacitados para administrar sua empresa no mercado correspondente, de forma a garantir a sobrevivência de seu negócio. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, uma incubadora fornece à empresa residente o espaço físico (escritórios, laboratórios, sala de reunião etc); recursos humanos e serviços especializados; capacitação, formação e treinamento de empreendedores; e acesso a laboratórios e bibliotecas de universidades e instituições tecnológicas. Mas a incubadora não operacionaliza ou desenvolve o projeto. O empreendedor, além de ter a idéia, deve ser capaz de desenvolver o que está sendo proposto. De sua parte, a empresa incubada deve arcar com despesas como um aluguel simbólico (em média R$ 2 por metro quadrado) e contas de luz, água e eletricidade. "Após a 'graduação', algumas empresas se comprometem a repassar 1 % do faturamento à incubadora, mas nem todas operam assim", afirma Gilson Carbinatto, do Sebrae. "Além disso, é comum que a incubadora queira manter vínculos com as empresas que gradua para mantê-las atualizadas e despertar interesse no projeto também". Esse vínculo muitas vezes implica uma taxa mensal simbólica para manter as atividades da incubadora. CANDIDATE-SE À INCUBAÇÃO Não é fácil ser escolhido por uma incubadora. É preciso apresentar um projeto detalhado, viável e atraente do ponto de vista mercadológico. Isso significa que só serão incubadas pequenas empresas caracterizadas pela inovação tecnológica, pelo elevado conteúdo tecnológico de seus produtos, processos e serviços, bem como pela utilização de modernos métodos de gestão. A maioria das empresas incuba das é de software, informática, Internet, comércio eletrônico, telecomunicações e eletro-eletrônicos. O que não impede um empreendedor de chegar com um projeto diferente - no estado do Amazonas, por exemplo, tem se destacado a incubação de empresas artesanais. "Hoje estão surgindo incubadoras de moda, design, cultura, cooperativas, entre outras", diz Carbinatto. "Incubadoras ligadas a universidades geralmente objetivam a produção de alta tecnologia; já as do interior focam na geração de emprego e renda". Qualquer pessoa que tenha um, projeto inovador e que deseje abrir sua própria empresa pode apresentar propostas para análise da incubadora. Empresas já existentes também podem candidatar-se, mas neste caso é preciso ter um projeto para melhoria ou desenvolvimento de novos produtos e serviços, Para participar é preciso estar atento aos editais de convocação e apresentar sua proposta. Ela será analisada de acordo com os critérios de seleção, geralmente rígidos, definidos por cada incubadora e segundo as necessidades da mesma. Para saber quais são as incubadoras mais próximas, consulte o Sebrae de sua região ou a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos (Anprotec). EXEMPLO DE SUCESSO O Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da Universidade de São Paulo (Cietec) completou cinco anos e já é um dos maiores da América Latina, abrigando 94 empresas e com previsão de faturar R$ 13 milhões em 2003. Instalado na Cidade Universitária, as empresas apoiadas pelo Cietec receberam R$ 6 milhões em investimentos, a maior parte vinda do Sebrae, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da USP, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). A Cietec tem uma série de exemplos de empresas residentes de sucesso, como a Alpha Produtos Químicos, que recebeu no dia 1º de dezembro licença de funcionamento da Vigilância Sanitária. William Carnicelli, sócio da Alpha, apresentava certa resistência em entrar na empreitada. "Depois, vi que é uma excelente iniciativa de fomento à pesquisa e tecnologia", diz. Desde o ano passado, quando a Alpha foi fundada na incubadora, a companhia busca desenvolver tecnologia para nacionalizar fármacos importados de alto valor agregado, enfocando o mercado de genéricos. As perspectivas são ambiciosas: "Nosso objetivo é desenvolver novos fármacos - ano que vem queremos mais dois ou três", afirma Carnicelli.