Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Incubadora cria sistema para reciclar lâmpadas

Publicado em 01 julho 2006

Por Leonardo Fuhrmann

Vender lâmpadas fluorescentes novas e recolher as usadas para separar seus materiais. Essa foi a forma criada pela Tramppo Recicla Lâmpadas, do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) da Universidade de São Paulo (USP), para alcançar a lucratividade no ramo de reciclagem. "Usamos a margem de lucro da venda de lâmpadas novas para tornar o negócio economicamente viável", explica o diretor da Tramppo, Gilvan Xavier Araújo.
A companhia vende os produtos pela internet e aproveita a entrega para pegar os usados. "Cada lâmpada custa R$ 3 na compra, é inviável pensar em gastar R$ 2 no momento do descarte", calcula.

Brooklin
A Tramppo deve abrir um posto de reciclagem de lâmpadas na Cidade Universitária, Zona Oeste de São Paulo, no mês de julho e pretende criar um outro posto no Brooklin, na Zona Sul da cidade, até o final do ano. "Dependemos só da autorização da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb)", afirma.
Segundo Araújo, a idéia é criar pequenos centros em diversos bairros. "Além de evitar a contaminação por mercúrio, diminuímos o ritmo de extração de matéria-prima como vidro e alumínio", defende. A maior parte do mercúrio consumido no Brasil é importado de países como o México, a Rússia e a Espanha.
Cada uma das máquinas desenvolvidas pela empresa tem capacidade de reciclar entre 100 mil e 120 mil lâmpadas por mês. "Pretendemos investir em parcerias para expandir o modelo para outras regiões", afirma Araújo. Uma máquina de reciclar lâmpadas importada da Suécia chega a custar US$ 1 milhão no mercado brasileiro, enquanto o equipamento desenvolvido pela Tramppo sai por cerca de US$ 100 mil. Cerca de 98% do material da lâmpada é reaproveitado pelo sistema desenvolvido pela empresa brasileira. "A retirada do mercúrio descontamina a lâmpada e o resto do material vira matéria-prima de novo", diz o diretor da empresa.

Contaminação
A Associação dos Fabricantes de Lâmpadas estima que as empresas brasileiras fabricam anualmente entre 40 e 60 milhões de lâmpadas fluorescentes para o mercado nacional. Com a importação legal e ilegal, a estimativa é que o consumo chegue a 100 milhões de lâmpadas por ano. Dessas, segundo empresas de reciclagem, cerca de 94% são descartadas em aterros sanitários, sem qualquer tratamento, contaminando o solo e a água com mercúrio, metal pesado, altamente poluente.
A Tramppo teve o apoio do Programa de Inovação Tecológica em Pequenas Empresas (Pipe), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto ganhou o certificado do Programa New Ventures Brasil, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), na categoria Modelo de Negócios em Desenvolvimento Sustentável.