Notícia

Gazeta Mercantil

Incubadas conquistam autonomia

Publicado em 02 agosto 2004

Em apenas quatro anos, a Laser-Tools, pequena empresa nascida dentro do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) da Universidade de São Paulo (USP), conquistou autonomia, abriu uma fábrica fora do abrigo da incubadora e inaugurou novo projeto. O sucesso da trajetória iniciada pelo empreendedor Spero Penha Morato pode ser medido pela evolução de seu faturamento, que tem crescido à base de 50% por ano. De R$ 1 milhão em 2002, passou para R$ 1,5 milhão em 2003 e este ano deve fechar com R$ 2,25 milhões. Desse total, R$ 500 mil estão sendo investidos em nova empresa que. seguindo o modelo da primeira, também vai ganhar força dentro da incubadora antes de alçar vôo solo. Especializada em processamento de materiais com o emprego de laser, a Laser Tools desenvolve aplicações em produtos para os setores médico e odontológico, que correspondem a 98% de sua carteira de clientes. Um de seus lançamentos recentes é o implante biocompatível feito em titânio. usado em marca-passos e pinos de implantes dentários, por exemplo, e que não sofre rejeição do corpo humano, informa Morato, doutor em física, professor titular da USP e ex-superintendente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). A LaserTools. que contou com o apoio da Fundação do Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Pesquisa Cientifica (CNPq), atua ainda nos segmentos de design promocional (brindes), automotivo, metalmecânico, eletroeletrônico e moldes plásticos. Em 2002, a empresa se transferiu para endereço próprio em Rio Pequeno, bairro metropolitano de São Paulo, em prédio de 400 metros quadrados. Mas manteve seu setor de pesquisas dentro da incubadora e no Ipen. A empresa conta hoje com cerca de 35 funcionários entre sócios, bolsistas, estagiários e consultores eventuais. Entre seus clientes, destacam-se a Dabi Atlante, para quem desenvolveu soluções de gravação em instrumentos odontológicos, a Visteon, fabricante de peças para o setor automotivo, e a Pial Legran, de conectores elétricos. "Nossos serviços atendem necessidades especificas do mercado e agregam valor ao produto do cliente, que ganham assim mais competitividade", afirma o cientista/executivo. A nova empresa - cujo nome ainda não pode ser revelado por estar com seus produtos em processo de patenteamento - será voltada especificamente à área médica. Mas sua instalação já ocupa um espaço de 60 metros quadrados, com dois funcionários, dentro da incubadora da USP. "Resolvemos apostar nesta nova cria", informa Morato. Jireh Automação Os empreendedores Alberto Nakamura e Tânia Serrano Nakamura também foram buscar o abrigo de uma incubadora - a Iesbec, de São Bernardo do Campo - para montar a Jireh Automação Indústria e Comércio. Especializada no desenvolvimento de projetos de automação e na construção de equipamentos, a empresa nasceu dentro da incubadora em outubro de 2001, com a consolidação da Jireh Serviços de Assistência Técnica e a Jireh Manutenção. Na ocasião, os trabalhos eram feitos em campo: os funcionários das duas empresas atuavam dentro da fábrica dos clientes. Para crescer, entretanto, os sócios precisavam ter uma oficina própria e recorreram à incubadora. No local, além do apoio administrativo e consultoria jurídica, comercial e financeira, a Jireh contou com o conhecimento técnico de equipes das universidades Mauá. Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e Metodista. Ao mesmo tempo em que o trabalho de manutenção crescia, novas oportunidades surgiram e levaram a Jireh a desenvolver o ramo de automação. Os sócios investiram então R$ 200 mil na compra de equipamentos e decidiram mudar a razão social da Jireh Assistência Técnica para Jireh Automação. Três anos depois, a empresa já tem sede fora da incubadora e emprega cerca de 30 funcionários, considerando a área de automação e os serviços reunidos na Jireh Service. Entre os projetos desenvolvidos, destaca-se uma estação de montagem automatizada para a Scania Latin America. Segundo Tânia, os sócios investem muito em qualificação e são assíduos freqüentadores de cursos de planejamento estratégico e de negócios, entre outros, tanto no Sebrae quanto na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Participam também de um programa do Sebrae para obter a ISO 9000 versão 2000. E. aguardam parecer da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para projetos de desenvolvimento tecnológico de equipamentos para a área de autopeças, diz Alberto Nakamura. Com a saída da incubadora, a empresa está em contato com a FEI para futuras parcerias. A Jireh produz equipamentos para linhas de montagem em geral, acessórios e dispositivos para usinagem e dispositivos para testes e avaliação de componentes veiculares. O faturamento da empresa em 2003 foi de R$ 2 milhões, informa Tânia. Rede pretende integrar iniciativas de negócios A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), quer ampliar o movimento de incubadoras de empresas e o apoio ao empreendedorismo no País. "O acesso a recursos tecnológicos é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos empreendedores, micro e pequenas empresas", diz o presidente José Carlos Fiates. Até meados de 90. as incubadoras eram voltadas ao setor tecnológico. Com a entrada do Sebrae. em 96, o movimento começou a se diversificar. Hoje 50% delas são do setor tecnológico, 30% dos segmentos têxtil, calçados e de cooperativas populares, e 20% de empreendimentos sociais, culturais e artísticos. Em 2002, o Sebrae repassou R$ 14 milhões para incubadoras, que foram implantadas ao longo de 2003. A expectativa é a de que. no final de 2004, mais trezentas incubadoras de empresas estejam em operação. Atualmente existem no Brasil 207 incubadoras de empresas, 35 parques tecnológicos. 3.600 empresas incubadas e 250 arranjos produtivos locais (APLs). As incubadoras estão presentes em 56 municípios, onde também há APLs. Segundo o presidente da Anprotec, as incubadoras podem colaborar com os APL. O processo de comunicação não se restringe aos APLs e parques tecnológicos, mas as micro e pequenas empresas. "É fundamental colocar para o grande público que nós e nossos parceiros somos geradores de crescimento, emprego e renda." A Anprotec lançou a Rede Incubar (www.redeincubar.org.br), com o objetivo de apoiar e incentivar o Movimento Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas. Pela rede vai ser possível encontrar incubadoras por estado e região ou por área de atuação.