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Revista Brasileira de Risco e Seguro

Incidência de raios cresce 51% no sudeste

Publicado em 28 janeiro 2008

Na primeira quinzena de janeiro de 2008, a incidência de raios na região Sudeste do Brasil aumentou 51% em comparação com o mesmo período de 2007. O número de descargas atmosféricas registradas na região subiu de 105,8 mil para 159,9 mil.

Os dados acabam de ser divulgados pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Uma das conseqüências desse aumento é o número de óbitos: das dez pessoas que morreram atingidas por raios só este ano no país, quatro estavam na região Sudeste.

Segundo o coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior, com base na análise comparativa das condições meteorológicas e da ocorrência de descargas atmosféricas no Sudeste entre 1999 a 2007, os pesquisadores do grupo já haviam previsto, em dezembro, uma incidência de descargas atmosféricas acima da média para o verão de 2008.

Eles compararam a incidência de raios durante a primavera de cada ano com eventos climáticos de grande escala, como o La Niña, fenômeno oceânico-atmosférico que se caracteriza por um esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, causando impactos ambientais relacionados à formação de tempestades no mundo inteiro.

"Estimávamos um aumento de 20% a 50% na incidência de raios no verão de 2008, que inclui também os meses de fevereiro e março", disse Pinto Júnior. "Os dados da previsão meteorológica, que indicam um leve aumento de temperatura de acordo com a média histórica e chuvas dentro da média, também nos auxiliaram nessa estimativa, uma vez que esse cenário favorece a maior incidência de raios."

"Desde o começo do ano, caíram cerca de 207 mil raios no Sudeste, contra 152 mil no mesmo período de 2007", afirmou. Outro levantamento do Elat aponta que durante todo o ano de 2007 foram registradas 46 mortes causadas por raios em todo o Brasil, resultado que, para Pinto Júnior, subestima o número real de ocorrências, uma vez que muitas não são divulgadas.

"Além dos casos não documentados, muitos morrem por parada cardíaca decorrente de uma descarga atmosférica, por exemplo, e, por falta de testemunha, a causa do óbito acaba sendo considerada como infarto. Isso ocorre muito com os trabalhadores rurais, que estão com freqüência sozinhos no campo", explicou.

Essa falta de notificação seria uma das causas para a redução de 37% nas mortes por descargas atmosféricas em relação ao levantamento anterior, realizado em 2001, quando foram registrados 73 óbitos em todo o país. Em ambos os levantamentos o estado de São Paulo detém o maior número de casos, com cerca de 30%.

Cidades mais atingidas

Em abril de 2007, o Elat divulgou um ranking das cidades brasileiras mais atingidas por raios. Dos 3.183 municípios de nove estados avaliados, São Caetano do Sul (SP) ocupou a primeira posição, seguido por Unistalda e Itacurubi, ambos no Rio Grande do Sul. O próximo ranking será divulgado em 2009.

Para chegar aos resultados, os técnicos do Elat dividiram o número total de raios incidentes em um determinado período de tempo pela área do município. A medição foi feita do início de 2005 a meados de 2006. Caem cerca de 12 raios por quilômetro quadrado por ano no município paulista que lidera a lista.

Aproximadamente 60 milhões de raios caem por ano no Brasil, causando, em média, 70 mortes por ano. Calcula-se ainda que os prejuízos causados pela incidência de descargas atmosféricas no país girem em torno de R$ 1 bilhão por ano, sendo R$ 600 milhões no setor elétrico.

"Há 30 anos, quando começamos a desenvolver pesquisas sobre descargas elétricas, morriam cerca de 150 pessoas por ano no Brasil. Hoje, o número de casos registrados caiu pela metade, o que indica uma melhoria na conscientização da população. Naquela época era muito comum pessoas duvidarem dos raios e dizerem que eles não matam", disse Pinto Júnior.

Mas, segundo o coordenador do Elat, a desinformação ainda é muito grande e, por conta disso, há muito trabalho preventivo a ser feito. "Esta semana mesmo um agricultor morreu no Ceará porque estava segurando uma enxada durante uma tempestade. Outra vítima deste ano, em Minas Gerais, estava encostada na geladeira dentro de casa. Sabemos que qualquer condutor metálico atrai raios e esses são mais dois casos clássicos que poderiam ter sido evitados", lamentou.

Fonte: Agência Fapesp