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Incentivos para produção de bioenergia precisam continuar no contexto pós-pandemia

Publicado em 24 agosto 2020

O contexto atual de pandemia não deve desestimular a continuidade de medidas que têm sido tomadas em relação à bioenergia nos últimos anos. Com a queda na demanda por combustíveis, o setor pode passar por dificuldades nos próximos meses e incentivos são essenciais para manter a produção, que contribui, inclusive, para o cumprimento das metas de emissões de gases do efeito estufa. Essa foi uma das conclusões do webinar “The Biofuture Principles for post-COVID Recovery: an Agenda for Brazil”, realizado no dia 13 de agosto e disponível no YouTube .

O seminário on-line integra a programação da Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference (BBEST) 2020.

“A ideia aqui é dar início às discussões da conferência BBEST, que realizamos todo ano. Escolhemos discutir hoje a recuperação da economia pós-COVID e como fazer isso de forma sustentável, com bioenergia. A economia desacelerou, mas as mudanças climáticas, não”, disse Gláucia Mendes Souza , professora do Instituto de Química da USP e coordenadora do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia ( BIOEN ), durante a abertura do evento.

“Precisamos aumentar nossos esforços e fazer crescer a produção de biocombustíveis para alcançar nossas metas de emissão de gases do efeito estufa. Não podemos retomar nossas economias com emissões maiores”, completou.

Carlos Henrique de Brito Cruz , professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que ocupou o cargo de diretor científico da FAPESP de 2005 a abril de 2020, lembrou que mais de 40% de todo o suprimento de energia do Brasil em 2019 veio de fontes renováveis. Dessa porcentagem, a maior parte, 16%, veio da energia gerada a partir da cana-de-açúcar.

“Ter 40% do suprimento primário de energia vindo de fontes renováveis é uma grande conquista do Brasil. É algo muito singular, muito especial e benéfico para o país e para o mundo. Além de gerar energia emitindo menos gases do efeito estufa, o programa de bioenergia brasileiro cria e mantém 594 mil empregos. A energia renovável, como um todo, mantém 893 mil empregos, o que é muito, especialmente no mundo de hoje. Portanto, é uma iniciativa que criou sustentabilidade para o país, autossuficiência em energia e empregos para os brasileiros”, disse Brito Cruz.

Princípios

Durante o webinar, os participantes comentaram o lançamento, no dia 12 de agosto, dos Cinco Princípios para a Recuperação e a Aceleração da Bioeconomia Pós-COVID, da Plataforma para o Biofuturo. Composta de 20 países e com liderança do Brasil, a iniciativa fundada em 2016 tem como objetivo promover a bioeconomia sustentável.

Os cinco princípios incluem a continuidade dos projetos existentes, apoio a curto prazo a produtores, reavaliação da necessidade de manutenção de subsídios aos combustíveis fósseis, integrar o setor da bioeconomia aos planos mais amplos de retomada econômica e a criação de mecanismos para incentivar a produção sustentável de biocombustíveis, bioenergia e bioprodutos.

Segundo Renato Godinho, do Ministério das Relações Exteriores, as medidas são importantes em um cenário em que a produção de biocombustíveis para transporte deve cair 13% este ano, segundo a Agência Internacional de Energia, como consequência da queda nas atividades por conta da pandemia.

“Mesmo quando há políticas em que é obrigatória uma parcela de biocombustíveis entre os combustíveis usados, se o total de consumo cai, o de biocombustíveis cai também, obviamente. Um segundo impacto é que os preços baixos do diesel e da gasolina também influenciam a competitividade dos renováveis. Um produtor de álcool hoje está vendendo menos e por um preço menor. Isso é o que acontece geralmente e é preocupante para o setor”, disse Godinho.

Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, lembrou que incentivos como a certificação Renovabio, que entrou em operação este ano, são um exemplo dos princípios da Plataforma para o Biofuturo que o Brasil já segue. Atualmente, 229 produtores de biocombustível e um de biometano são certificados. As empresas devem cumprir critérios como não ter plantações em áreas desmatadas e seguir o Código Florestal brasileiro, tido como um dos mais rigorosos do mundo.

Mais informações no site do evento: http://bbest-biofuture.org/webinar/.

O webinar está disponível também no YouTube: https://youtu.be/tr5O38Jzlcc (Agência Fapesp, 248/20)