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Inatividade física na quarentena pode aumentar estatísticas de mortes

Publicado em 08 dezembro 2020

Por Agência FAPESP

Ainda que ajude a controlar a propagação do novo coronavírus, o isolamento social pode induzir comportamentos prejudiciais à saúde, como ingerir alimentos de pior qualidade, passar mais tempo sentado em frente às telas e movimentar-se menos ao longo do dia. Especialistas estimam que a redução no nível de atividade física observada nos primeiros meses de quarentena pode gerar um aumento anual de mais 11,1 milhões de novos casos de diabetes tipo 2 e resultar em mais 1,7 milhão de mortes.

As estimativas foram apresentadas por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em artigo publicado na revista científica Frontiers in Endocrinology. No texto, os autores defendem ser “urgente” recomendar a prática de exercícios físicos durante a pandemia.

“Trabalhos recentes mostram que indivíduos com diabetes têm um risco maior de desenvolver a forma grave da COVID-19. E, quando não é bem controlado, as chances de morte são muito grandes. Ao mesmo tempo, outros estudos têm demonstrado que o confinamento reduziu consideravelmente o nível de atividade física, aumentou o comportamento sedentário e piorou a qualidade da alimentação. Alertamos então para as consequências deletérias desses comportamentos”, afirmou o Dr. Emmanuel Gomes Ciolac, professor do Departamento de Educação Física da Faculdade de Ciências (FC) da Unesp, em Bauru, que coordenou o estudo.

O trabalho tem como primeira autora Isabela Roque Marçal, que realiza mestrado na FC-Unesp e fez estágio de pesquisa na Universidade de Leuven, na Bélgica, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Entre os dados que serviram de base para o trabalho, os pesquisadores levaram em conta um levantamento internacional realizado on-line por um grupo de 35 instituições de pesquisa de vários continentes. De acordo com os resultados, ainda preliminares (referentes aos primeiros mil voluntários que responderam ao questionário), nos primeiros meses de confinamento houve redução de 35% no nível de atividade física e aumento de 28,6% nos comportamentos sedentários, como passar mais tempo sentado e deitado, além de maior ingestão de alimentos não saudáveis. Estudos anteriores já mostravam que a inatividade física foi responsável por cerca de 33 milhões de casos de diabetes tipo 2 em 2019 e 5,3 milhões de mortes em 2018.

Baseados nos dados do período anterior à pandemia, os pesquisadores estimam que a prevalência atual de inatividade física – isto é, não realizar a quantidade mínima de exercício recomendado pelas organizações de saúde – é de 57,3% entre a população com mais de 40 anos e 57,7% entre indivíduos com risco de diabetes. Com isso, a falta de atividade física será responsável por 9,6% (11,1 milhões) dos casos de diabetes e 12,5% (1,7 milhão) da mortalidade geral no mundo, caso essa alta prevalência se mantenha por tempo prolongado.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Agência FAPESP.

Fonte: André Julião, Agência FAPESP. Imagem: Anton Jansson via Unsplash.