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Imunodeficiências primárias são tema de evento em São Paulo

Publicado em 04 março 2013

SÃO PAULO - Pesquisadores e estudantes de vários países estarão reunidos até 8 de março no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), na 2ª Escola São Paulo de Ciência Avançada em Imunodeficiências Primárias (ESPCA-PID).

É a segunda edição do evento, que tem apoio da Fapesp por meio da modalidade Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA). A primeira foi realizada em 2010.

"Nessa segunda edição serão abordadas as relações entre autoimunidade e imunodeficiência", explicou a professora Magda Carneiro Sampaio, coordenadora do evento.

"As imunodeficiências primárias (IDPs) representam um grupo de cerca de 180 doenças diferentes, quase todas monogênicas e raras, que constitui hoje uma das melhores, senão a melhor maneira de se entender a imunologia humana", disse.

"Esses defeitos podem ser vistos como verdadeiros nocautes naturais que ajudam a desvendar o papel dos diferentes genes na resposta imune e sua relação com o quadro clínico. Além da elevada suscetibilidade às infecções, muitas IDPs são acompanhadas de manifestações autoimunes e, sendo doenças de genética bem definida, representam uma fonte de conhecimento única para se entender o fenômeno da autoimunidade", afirmou Carneiro Sampaio. Segundo a professora-titular do Departamento de Pediatria da FMUSP, as típicas doenças autoimunes do adulto são de genética complexa e com grande influência ambiental na sua patogênese.

Por conta disso, as IDPs podem contribuir para entender as doenças autoimunes poligênicas, abrindo ainda possibilidades para novas abordagens terapêuticas.

"Embora sejam doenças raras, recentemente o Departamento de Pediatria do Instituto da Criança e os departamentos de Clínica Médica e de Dermatologia da FMUSP publicaram um artigo com relato de 1.008 casos de IDPs bem definidas, o que pode representar a maior série de um centro isolado já publicada e muito superior às já apresentadas por países como um todo. O Brasil inteiro deve ter cerca de 3 mil casos reconhecidos", disse Carneiro Sampaio.

A organização da 2ª ESPCA-PID é resultado de uma interação da FMUSP, USP e Hospital Israelita Albert Einstein.

Agências