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Envolverde

Impulso para a pesquisa paulista

Publicado em 09 março 2009

Por Fábio de Castro

Agência Fapesp

Programa “Ano da Pesquisa da Unesp” terá o objetivo de estimular investigação científica na universidade, cuja produção cresceu 70% em quatro anos.

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) lançou na última quinta-feira (5/3) o programa "Ano da Pesquisa da Unesp".

O objetivo, de acordo com a pró-reitora de Pesquisa, Maria José Mendes Giannini, é estimular e articular atividades de pesquisa da universidade, impulsionando ainda mais o crescimento verificado nos últimos anos e aprimorando a qualidade da produção científica.

Um conjunto de indicadores, divulgado durante o evento de lançamento do programa, atesta o crescimento da pesquisa na instituição: o número de matrículas em cursos de pós-graduação cresceu mais de dez vezes nos últimos anos, saltando de 878 em 2000 para 9.947 em 2008. O efeito desse crescimento impulsionou a produção científica da universidade, que aumentou 70% nos últimos quatro anos.

No entanto, segundo a pró-reitora, a pesquisa da Unesp terá um impulso muito maior quando houver uma maior articulação entre os diversos grupos de pesquisa que atuam em seus campi, distribuídos em 23 municípios paulistas.

“Por sua característica de distribuição das unidades em muitos campi, a Unesp tem diversas ilhas de excelência. Identificamos a necessidade de articular melhor essas competências isoladas a fim de alavancar programas de pesquisa mais robustos”, disse Maria José à Agência FAPESP.

Com a articulação das pesquisas feitas nos diversos campi, a professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara estima que a Unesp poderá articular grandes projetos, facilitando a captação de recursos junto às agências de fomento.

“Cerca de 5% dos nossos 475 pesquisadores têm perfil de alta produtividade. Queremos que eles liderem grandes projetos temáticos que, por efeito de sinergia, trarão outros pesquisadores para esse patamar de altos índices de produção científica. Isso deverá estimular também a interação deles com a comunidade científica do restante do país e do exterior”, afirmou.

O programa contará com uma série de incentivos para atrair pesquisadores visitantes, jovens pesquisadores e pós-doutorados. Outro foco é o aumento do número de cursos de doutorado. Atualmente são 83, contra 105 de mestrado. O objetivo da iniciativa é que o número seja pelo menos igual, a fim de manter na Unesp os egressos do mestrado.

Outra iniciativa importante, segundo a pró-reitora, será a montagem de um banco de dados sobre a pós-graduação e as atividades de pesquisa na universidade, com a finalidade de fornecer subsídios para a orientação de políticas acadêmicas.

“Vamos fazer visitas em cada unidade e conversar com todos os presidentes de comissões de pesquisa. Queremos ter dados mais fidedignos para traçar essas políticas. Temos números sobre publicação, captação de recursos e produtividade, mas queremos montar um banco de dados para confrontá-los com mais clareza”, destacou.

Segundo a professora, uma das metas é melhorar a posição da Unesp no ranking da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que lista instituições de ensino superior pela qualidade de seus cursos de pós-graduação.

De acordo com os dados divulgados, em 2004 a pós-graduação da Unesp ocupava o 17º lugar, com conceito 4,24. No levantamento seguinte, de 2006, saltou para o 12º lugar, com conceito 4,33 para os seus então 103 programas de pós-graduação. Hoje, são 109 programas.

“Estávamos em 2º lugar no número de programas, mas com o 12º conceito. A evolução mostra que temos competência e condições de ir para frente e ficar em uma posição bem mais alta neste ranking”, disse Marilza Cunha Rudge, pró-reitora de Pós-Graduação da universidade.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, presente ao evento, ressaltou que a Unesp aumentou em seis vezes as solicitações de financiamento da Fundação desde 1992. No entanto, segundo ele, a universidade tem feito poucas solicitações para trazer pesquisadores do exterior. “Isso é importante para aumentar o nosso contato com outros trabalhos, mas também para que eles vejam o que estamos fazendo”, disse.

Para o reitor da universidade, Herman Voorwald, o momento é apropriado para o crescimento da pesquisa e dos contatos entre pesquisadores. “Conhece o potencial dessa instituição quem conhece o histórico dela. Ela foi criada há 33 anos de uma junção de institutos que faziam graduação e não tinham nenhuma estrutura de laboratórios de pesquisa. Ao longo da década de 1990, começou a consolidar e qualificar seu quadro docente e hoje todos os indicadores mostram nosso grande potencial”, afirmou.

(Envolverde/Agência Fapesp)