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Cruzeiro do Sul online

Impressões sobre a China

Publicado em 30 outubro 2012

Por Luciana Coutinho Pagliarini de Souza e Maria Ogécia Drigo

A Nanjing Normal University, na cidade de Nanjing - China - acolheu o "11th Congresso Mundial de Semiótica" do qual participamos. Em nome da Universidade de Sorocaba e sob os auspícios da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), apresentamos trabalhos que tratavam do hibridismo intercultural a partir de imagens metafóricas disseminadas pela internet e também via representações da cultura chinesa em restaurantes de comida chinesa, de Sorocaba.

Além da oportunidade de compartilhar conhecimentos sobre semiótica, bem como suas interfaces com a comunicação, com pares de diversas nacionalidades, a chance de visitar aquele "outro lado do mundo" fez com que valessem a pena as longas horas de voo... Nossas impressões sobre a viagem é o que buscaremos aqui registrar.

Nanjing e Shangai foram as cidades visitadas. Palco de grandes contrastes, a antiga cidade de Nanjing, circundada pelas muralhas, observa a cidade nova que cresce e avança. Por diversas vezes capital da China, Nanjing - etimologicamente capital do Sul - tem cerca de 10 milhões de habitantes e constitui-se grande centro industrial, comercial e cultural; e o novo mistura-se ao velho acentuando o choque entre a cultura milenar e a ocidentalizaçao perceptível a cada esquina.

Se Nanjing já impactava pela explosão de crescimento, pela infraestrutura que favorecia a mobilidade urbana - largas avenidas, diversas linhas de metrô e de trem -, pela grande dimensão de seus edifícios, Shangai - 20 milhões de habitantes - superou todas as expectativas: maior centro comercial e financeiro na China continental, a cidade tem sido descrita como o grande exemplo da pujança da economia chinesa.

Mas nos interstícios dessas paisagens feitas de pedra, vidro, espelho e ferro também pulsa a vida. Sons, cheiros, sabores, texturas impregnam as vias de locomoção dessas cidades que, sob a ótica de Richard Sennett, assemelham-se a veias e artérias, ambas tratadas como meios de comunicação. Buzinas soam ininterruptamente vindas de carros, ônibus, motos, bicicletas num trânsito que, embora estruturado para funcionar, rende-se ao caos e, mesmo assim, parece gerar ordem, um padrão bem estranho aos nossos.

Cheiro da fumaça das churrasqueiras enfileiradas nas ruas que rescende a legumes, os mais variados, a carnes e miúdos de frango, porco e outros comestíveis exóticos que mal identificamos, também barraquinhas do pastel que conhecemos como pastel de Belém. E gente, muita gente nas ruas, nas conduções, nos becos que escondem os redutos de produtos que "replicam" originais de marcas caras e famosas. A China é sinestésica...

A censura na internet - proibição do Facebook, tempo restrito ao Google - foi a marca mais contundente do regime comunista que se esvai nas vitrines monumentais que convidam ao consumo... A China revelou-se, a nosso ver, a versão mais bem acabada da pós-modernidade. Em Nanjing e em Shangai, principalmente, se viviencia a pós-modernidade!

Profa. Dra. Luciana Coutinho Pagliarini de Souza e Profa. Dra. Maria Ogécia Drigo, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba (Especial para AgênciaJor/Uniso)