Notícia

Jornal da Unesp

Imprensa, da França para o Brasil

Publicado em 01 setembro 2013

Por José Tadeu Arantes, da Agência FAPESP

Periódicos franceses tiveram circulação expressiva no Brasil, na passagem do século XIX ao XX. E contribuíram não apenas para o entretenimento e o aprimoramento cultural da elite letrada, mas também para a melhoria da imprensa brasileira, com a adoção de padrões editoriais mais exigentes.

Le Figaro, Le Matin e Le Petit Journal foram alguns dos jornais, produzidos na França, que circularam no Brasil. Além deles, havia publicações, escritas em francês ou bilíngues, impressas por aqui. Machado de Assis, Lima Barreto, Coelho Neto e Oswald de Andrade estiveram entre os leitores mais famosos desses periódicos.

Essas e outras informações fazem parte do material já levantado pela pesquisa "As transferências culturais na imprensa na passagem do século XIX ao XX – Brasil e França", coordenada por Valéria Guimarães, professora de Teoria da História na Unesp, Câmpus de Franca. O trabalho, ainda em andamento, é apoiado pela Fapesp no âmbito do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes e possui uma interface com o Projeto Temático Fapesp "A circulação transatlântica dos impressos: a globalização da cultura no século XIX”.

“As perguntas que fazemos são: que jornais circulavam aqui e quem eram os agentes envolvidos nessa circulação, dos dois lados do Atlântico?”, disse a pesquisadora. “Mapeadas essas redes, procuraremos nos aprofundar na recepção, para saber que impacto real esses jornais tiveram no jornalismo brasileiro.”

A pesquisa já identificou vários agentes. No eixo Rio-São Paulo, havia firmas ocupadas na venda dos periódicos, como a Livraria Magalhães, a Livraria Commercial, a Livraria Garnier e a Casa Garraux, entre outras. E livrarias-editoras, comprometidas não apenas com a venda, mas também com a produção de publicações em francês ou bilíngues, como a belga Lombaerts.

PRODUÇÃO BRASILEIRA

Um exemplo de periódico feito no Brasil é La petite revue (A pequena revista), que se autodefinia como “financeira, econômica, comercial e literária” e era publicada pelo Crédit Général Français (Crédito Geral Francês).

Outro exemplo de publicação mais voltada para a comunidade francesa residente no Brasil é o semanário L’Éclaireur (O esclarecedor). “Uma de suas edições trouxe rude polêmica com o primeiro cônsul da França no Brasil, lotado em São Paulo, Georges Ritt, acusado pelo periódico de incompetência, abuso de poder, divulgação de segredos profissionais, traição à honra, traição à pátria, calúnia, adultério, e daí para baixo”, disse Guimarães.

O impacto dos jornais franceses no jornalismo brasileiro será objeto de fase posterior do estudo. Mas alguns exemplos pontuais já podem ser adiantados, como o de Lima Barreto (1881-1922), assíduo leitor de Le Figaro.

Uma amostra do material já colhido pela pesquisa pode ser acessada no site http://jfb.cedaph.org